Ibovespa volta a perder força e dólar se mantém nos R$ 5: o que move os mercados

Por Ana Luiza Serrão 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ibovespa volta a perder força e dólar se mantém nos R$ 5: o que move os mercados

O Ibovespa abre o pregão desta quinta-feira, 21, em queda de 0,86%, aos 175,8 mil pontos, em uma sessão marcada pela alta do petróleo e pela cautela nos mercados globais devido à guerra no Irã, com novas declarações desafiadoras de Teerã, e à bateria de indicadores econômicos nos Estados Unidos e na Europa.

Por volta das 10h30 (horário de Brasília), o petróleo subia 3,91% e o dólar comercial, 0,32%, a R$ 5,01.

As ações da Vale caíam 0,68%, assim como as do Itaú Unibanco, com -0,76%. As da Petrobras, por outro lado, subiam entre 1,43% e 1,69%. A maior alta do pregão está com Usiminas, a 2,71%, seguida pela Prio, 2,13%. No vermelho, liderava a Minerva (-4,93%), Hapvida (-4,52%) e MRV (3,42%).

Após uma quarta-feira marcada pela repercussão da ata do Federal Reserve (Fed) e pelos resultados fortes da Nvidia, o mercado estadunidense volta também as atenções para os dados de atividade econômica e do mercado de trabalho.

Os pedidos de seguro-desemprego no país tiveram queda na semana encerrada no dia 16, para 209 mil. Devem sair, ainda, dados do PMIs preliminares de maio, que medem a temperatura da economia por lá, e novos números do setor imobiliário estadunidense.

No Brasil, a agenda doméstica traz a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), enquanto investidores acompanham o comportamento do dólar, dos juros futuros e das commodities.

Petróleo dispara com guerra

O Brent avançava 3,91%, cotado a US$ 109,13, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 4,43%, a US$ 102,61. O movimento ocorre em meio ao temor de agravamento do conflito no Irã e à continuidade dos bloqueios no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta semana que adiou ataques militares iminentes contra o Irã para dar mais tempo à diplomacia, mas voltou a ameaçar uma retomada da ofensiva caso Teerã não apresente "respostas 100% satisfatórias" nas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Além disso, a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) alertou que o mercado global de petróleo pode entrar em uma "zona vermelha" durante o verão no hemisfério norte caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado, em um momento de aumento sazonal da demanda por combustíveis.

Bolsas americanas recuam

Em Wall Street, os principais índices abriram em baixa, pressionados pela disparada do petróleo e pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O S&P 500 caía 0,4%, enquanto a Nasdaq recuava 0,5%. O Dow Jones perdia cerca de 0,3%.

Os juros dos Treasuries avançavam com o receio de que a alta do petróleo aumente as pressões inflacionárias nos EUA. O rendimento da Treasury de dez anos subia para 4,61%.

Os investidores também repercutem o balanço da Nvidia, que superou as expectativas de lucro e receita e elevou dividendos, mas sem empolgar o mercado após a forte valorização acumulada pela companhia com o boom da inteligência artificial (IA). As ações da empresa operavam próximas da estabilidade.

Europa devolve ganhos

Na Europa, as bolsas devolveram os ganhos iniciais e passaram a cair após as notícias envolvendo o Irã. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava cerca de 0,36%, com perdas disseminadas entre os principais mercados do continente. Já o DAX caía 0,79%; o FTSE, -0,38%; CAC, -0,64% e o FTSE MIB, -0,52%.

Indicadores econômicos também aumentaram a cautela dos investidores europeus. Dados preliminares de PMIs mostraram desaceleração da atividade econômica no Reino Unido e forte contração na França em maio, reforçando preocupações com o crescimento da região.

Boa parte da Ásia em alta

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, impulsionados pelo otimismo inicial em torno das negociações entre EUA e Irã, antes das novas declarações de Teerã, e pelo desempenho das ações ligadas à IA.

O Nikkei, do Japão, saltou mais de 3%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, disparou mais de 8%.

As ações do SoftBank avançaram quase 20% após os resultados da Nvidia reforçarem as expectativas positivas para o setor de IA. Na Coreia do Sul, Samsung e SK Hynix também registraram fortes ganhos.

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