Identidade digital: o novo pilar de confiança na jornada do cliente
Por Paulo Roberto Correia*
Na era da velocidade e da tecnologia, ninguém quer perder tempo em cadastros longos, uploads de documentos e autenticações que quebram a experiência. Abrir uma conta em minutos, validar crédito quase instantaneamente e autenticar sem senha virou expectativa básica. Ao mesmo tempo, confiança virou requisito inegociável: não dá para acelerar às custas de fraude, vazamento de dados ou dúvidas sobre quem está “do outro lado”.
Nesse cenário, a identidade digital, baseada em credenciais verificáveis, padrões abertos e controle pelo usuário, será o novo “guia de confiança” das jornadas online, capaz de reduzir atritos, elevar a segurança e destravar conversão.
Em outras palavras, padronizar “como provar quem você é” no momento certo, para a empresa certa, com consentimento explícito, é o caminho mais sólido para escalar conveniência sem renunciar à privacidade e proteção.
Esse modelo é sustentado por três pilares fundamentais. O primeiro é a credibilidade, já que as credenciais que compõem a identidade são emitidas por governos ou empresas confiáveis e entregues diretamente ao cidadão, que passa a ser o titular e gestor dessas informações. O segundo é a confiabilidade: uma vez emitidas, as certidões não podem ser alteradas até o momento do seu uso, o que garante validações consistentes e rastreáveis desde a origem. Por fim, o terceiro e mais importante é a segurança, visto que para acessar produtos e serviços essas credenciais precisam ser compartilhadas pelo próprio usuário, mediante autenticação forte, assegurando que o verdadeiro titular é quem autoriza o compartilhamento.
Dessa forma, é estabelecida uma rede mais segura e estruturada, com caminhos claros para emissão, armazenamento e compartilhamento de informações. Para o cliente, isso significa ampliar fluxos digitais mais simples e consistentes para obter credenciais, como CIN, CNH, certificados de cursos e certidões, por exemplo. Na prática, em vez de cada site começar do zero pedindo dados, foto de documento, comprovante e múltiplas validações, a empresa solicita apenas as credenciais necessárias, e o usuário autoriza o compartilhamento em um clique. Menos atrito. Mais segurança.
A padronização também amplia o controle sobre os dados e reforça a segurança. À medida em que o usuário se familiariza com esse modelo, torna-se mais fácil identificar processos legítimos e mais difícil a atuação de fraudadores que exploram engenharia social ou roubo de identidade, práticas que hoje se aproveitam justamente da falta de clareza nos fluxos digitais.
Além disso, a identidade digital fortalece princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) ao permitir maior visibilidade sobre quando, como e com quem os dados foram compartilhados. E a tendência é ficar ainda mais simples: atualizar informações, retirar um consentimento ou pedir a exclusão de dados de serviços que você não usa mais deve virar uma experiência rápida e descomplicada.
Impacto para as empresas
Os benefícios da identidade digital vão muito além da pessoa física. Para as empresas, ela traz jornadas mais simples e eficientes, evitando que o cliente precise repetir dados ou passar por várias etapas de validação. Com informações mais confiáveis na origem, fica mais fácil reduzir checagens desnecessárias e agilizar processos. O resultado é imediato: melhor experiência para o usuário, mais eficiência operacional e maior conversão.
Além disso, trabalhar com dados de maior qualidade fortalece a tomada de decisão e aumenta a capacidade de prevenção a fraudes — tudo isso sem tornar a jornada mais difícil para o cliente. No fim do dia, a transformação digital deixou de ser sobre criar canais. Hoje, ela é sobre construir confiança em escala. Entregar conveniência sem abrir mão de segurança e privacidade tornou-se o verdadeiro diferencial competitivo. Velocidade já virou commodity; confiança não. A identidade digital é um dos caminhos mais sólidos para impulsionar a inovação sem aumentar riscos. E, no futuro do setor financeiro, será peça-chave para redesenhar a jornada do cliente com mais consistência, segurança e transparência.
*Paulo Roberto Correia, gerente sênior de inovação do Bradesco.
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