Indústria da China cresce em março mesmo com tarifas e guerra
Lucros de empresas chinesas, principalmente no setor de IA e semicondutores, subiram ao maior ritmo do último semestre em março, em uma alta de 15,8%, um aumento de 0,6% em comparação ao período de janeiro e fevereiro.
Nesse primeiro trimestre, lucros gerais das companhias do setor industrial chinês subiram 15,5% em comparação ao primeiro trimestre de 2025, conforme o crescimento econômico acelerou para 5% após atingir a maior baixa de três anos no último trimestre.
O crescimento econômico chinês nesse setor da indústria contribui para sinais mais amplos de recuperação econômica desigual da guerra no Oriente Médio durante o primeiro trimestre entre diferentes tipos de empresas industriais na China.
Enquanto a boa fase afeta empresas de inteligência artificial e de semicondutores, outras partes da indústria chinesa, especialmente empresas focadas em serviços diretos a consumidores, como alimentos, continuam sofrendo devido a quedas nas exportações desse tipo de produto, no varejo e na produção manufatureira como um todo no mês passado.
A economia chinesa viveu, nos últimos anos, um período prolongado em que os lucros dos produtores caíram devido à deflação. Uma recuperação recente dessa área deixou empresas em uma posição difícil, já que, apesar do valor de seus produtos naturalmente ter aumentado, sua capacidade de determinar preços, o que dita sua receita, é limitada por uma demanda baixa e inativa. O lucro de algumas companhias no setor industrial e os problemas de outras sugerem uma recuperação desigual dentro da China dos choques da guerra do Irã na economia global e das tarifas impostas pelos EUA.
Resiliência chinesa: uma “fábrica para fábricas”
Mesmo com tarifas americanas e incertezas globais com o fechamento do estreito de Ormuz, a economia chinesa segue exibindo uma resiliência notável. No fim de 2025, o país surpreendeu todas as expectativas, com um superávit comercial de US$ 1,2 trilhão e um total de US$ 3,8 trilhões em exportações. Apesar de um mês incerto em março, as exportações chinesas continuaram sua sequência recorde, aumentando 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
A resiliência econômica da China se deve ao fato de os EUA, devido às tarifas de Trump, representam um mercado cada vez menos importante para a China. Em 2025, exportações chinesas aos EUA caíram em mais de US$ 100 bilhões, enquanto exportações para outros destinos viram alta, agregando até 300 bilhões de dólares adicionais. Enquanto isso, Pequim se torna uma alternativa valiosa à dependência sobre os EUA para muitos países.
O crescimento e a resiliência se devem a dois fatores, aponta a revista britânica The Economist – primeiro, a China encontrou novos mercados à medida que o comércio com os EUA cai. Segundo, uma mudança no tipo de itens exportados contribui significativamente para os novos lucros.
Por exemplo, Pequim encontrou compradores para seus semicondutores em países como Vietnã, Índia e Tailândia, que, acima de tudo, não cobram tarifas elevadas sobre produtos chineses.
Além disso, a China se torna uma “fábrica para fábricas”, exportando cada vez mais bens intermediários (usados na confecção de outros bens, como produtos químicos na produção de plástico) e bens de capital (como maquinários e ferramentas). Exportações desses bens aumentaram 10,2% em 2025, enquanto as exportações de bens de consumo direto (como roupas baratas e alimentos), um tipo de produto historicamente associado à exportação chinesa, caíram 4,6%.
Essa mudança é alimentada por uma ênfase doméstica na inteligência artificial e em demais produções especializadas na indústria tecnológica, como semicondutores e componentes para celulares.
Além disso, por mais que o Yuan tenha se fortalecido em até 6% em relação ao dólar nos últimos 12 meses, continua sendo uma moeda barata quando ajustada ao comércio internacional. Os problemas deflacionários que causaram dificuldades para as indústrias no país também as tornaram mais competitivas para exportar, o que gera uma abundância de produtos.
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