Investidores buscam ativos tangíveis em meio à incerteza da IA

Por Ana Luiza Serrão 25 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Investidores buscam ativos tangíveis em meio à incerteza da IA

O mercado global vive uma mudança na alocação de capital. Investidores estão priorizando empresas com ativos físicos robustos, como usinas, fábricas e redes, em vez de companhias dependentes de capital intelectual ou digital, segundo estrategistas do Goldman Sachs.

Esses papéis tangíveis passaram a funcionar como uma espécie de porto seguro diante das incertezas e do potencial disruptivo da inteligência artificial (IA), algo que o banco chama de "efeito HALO", sigla para "ativos pesados e de baixa obsolescência", na tradução para o português, informou à agência.

Isso significa que empresas com infraestrutura complexa estão menos expostas ao risco de substituição tecnológica. Os analistas indicam, ainda, que ações intensivas em capital superaram o grupo de baixo capital, que era mais dependente de software e de capital humano, em cerca de 35% desde o início de 2025.

Mercado premia complexidade

A explicação está na dificuldade de replicar ativos que exigem engenharia avançada, redes físicas e grande capacidade operacional. O mercado estaria premiando complexidade industrial e infraestrutura instalada, a exemplo das empresas ASML Holding, Airbus, Safran, LVMH e Air Liquide, conforme o Goldman.

Na outra ponta, companhias consideradas "leves em capital", como Adyen e L'Oréal, enfrentam maior ceticismo. Segundo os analistas, o receio é de que aplicações de IA alterem modelos tradicionais de negócios, atingindo setores antes vistos como vencedores naturais, como software e gestão de ativos.

Corrida pela liderança em IA

A corrida pela liderança em IA transformou, ainda assim, as grandes empresas de tecnologia em grupos cada vez mais intensivos em capital. Amazon, Microsoft, Alphabet, Meta e Oracle devem investir cerca de US$ 1,5 trilhão em infraestrutura de IA entre 2023 e 2026, indicou à Bloomberg.

Fatores macroeconômicos reforçam a tendência também, pois rendimentos reais mais altos e tensões geopolíticas, que estimulam gasto fiscal e apoio à manufatura, favorecem setores intensivos em capital. O Goldman destaca que as expectativas de lucro por ação e retorno sobre patrimônio estão melhorando nos segmentos.

E a leitura não é isolada de apenas um grupo de analistas. O Morgan Stanley também identificou um afastamento de setores com poucos ativos físicos, indicando que o mercado está recalibrando o valor da "infraestrutura real" frente ao "capital digital", de acordo com fontes ouvidas pela agência.

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