Irã nomeia Mojtaba Khamenei como sucessor após morte de Ali Khamenei
O Irã anunciou na noite deste domingo a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país, em sucessão a seu pai, Ali Khamenei, morto nos primeiros ataques da ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra Teerã. A decisão, segundo a Reuters, foi tomada pela Assembleia de Especialistas, colegiado de 88 clérigos responsável por escolher a principal autoridade política e religiosa da República Islâmica.
Mojtaba, descrito como um clérigo de escalão intermediário, já era apontado como um dos favoritos nos bastidores por sua influência sobre as forças de segurança e sobre redes empresariais ligadas ao aparato construído durante o governo do pai. Com a nomeação, ele passa a ter a palavra final sobre os assuntos de Estado no país.
A escolha sinaliza a permanência dos linha-dura no comando de Teerã em um momento de pressão militar inédita sobre o regime. A sucessão ocorre em meio à intensificação da guerra e à tentativa de preservar a cadeia de comando iraniana após a morte do antigo líder supremo.
A declaração atribuída à Assembleia de Especialistas afirma que o órgão nomeou “Aiatolá Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei” como o terceiro líder da história da República Islâmica. A estrutura institucional iraniana dá ao posto autoridade máxima sobre governo, Forças Armadas e diretrizes estratégicas do país.
Segundo o material enviado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no domingo que Washington deveria ter influência sobre a escolha do novo líder iraniano. A fala amplia o tom de confronto adotado pela Casa Branca desde o início da campanha militar. Israel, ainda antes do anúncio, também havia ameaçado atingir quem fosse escolhido para o cargo.
No mesmo contexto, o texto relata que as ofensivas de EUA e Israel já deixaram ao menos 1.332 civis iranianos mortos, além de milhares de feridos, de acordo com o embaixador do Irã na ONU, Organização das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, Teerã afirma que não busca cessar-fogo e promete retaliar os ataques, o que reduz o espaço para uma descompressão imediata da crise.
Escalada militar amplia pressão sobre Teerã
A guerra entrou no nono dia com novos bombardeios sobre a capital iraniana. De acordo com o relato reproduzido, uma fumaça preta espessa cobriu partes de Teerã após ataques a depósitos de combustível e instalações ligadas à infraestrutura de hidrocarbonetos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a ação como uma nova fase “perigosa” do conflito e como crime de guerra.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmou na rede X, antiga Twitter, que os ataques a depósitos de combustível liberam materiais tóxicos no ar. Já Israel sustentou que as instalações serviam ao esforço militar iraniano, inclusive na produção ou no armazenamento de propelente para mísseis balísticos, e por isso seriam alvos legítimos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o governo seguirá com a ofensiva “sem misericórdia” contra os dirigentes iranianos. A fala reforça que a estratégia israelense não se limita a conter a capacidade militar do país, mas também busca desorganizar o centro político do regime.
O texto ainda menciona a morte de Abolqasem Babaian, apontado como recém-nomeado chefe do gabinete militar do líder supremo, em um ataque no sábado. Também cita a informação de que Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, e Jared Kushner devem visitar Israel nesta terça-feira, segundo o Axios, site americano de política e negócios.
No plano econômico, a continuidade da guerra já pressiona o mercado global de energia, afeta empresas e desorganiza rotas aéreas. Ao dizer que não buscava negociações para encerrar o conflito, Trump indicou que Washington mantém a lógica de coerção máxima, mesmo com o risco de prolongamento da instabilidade regional.
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