Israel amplia ataques no Líbano no 8º dia de cessar-fogo no Oriente Médio
O conflito no Oriente Médio entrou nesta quarta-feira, 15, no 8º dia de um cessar-fogo ainda frágil entre Estados Unidos e Irã, enquanto uma nova frente de tensão ganhou força na fronteira entre Israel e Líbano.
No Líbano, Israel intensificou bombardeios no sul do país e voltou a atingir áreas ao sul de Beirute. Ao mesmo tempo, o Hezbollah lançou cerca de 25 a 30 foguetes contra o norte de Israel, um dia após o início das primeiras negociações diretas entre libaneses e israelenses em mais de 30 anos.
Em paralelo, o governo Donald Trump voltou a sinalizar que as conversas com o Irã podem ser retomadas em breve, embora também tenha endurecido a pressão militar e econômica sobre Teerã com o bloqueio aos portos iranianos e a restrição ao tráfego no Estreito de Ormuz.
O Centcom, o comando militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio, afirmou na terça-feira que nenhum navio atravessou Ormuz. Já dados de rastreamento marítimo do site de monitoramento de navegação Kpler sugerem que vários navios que passaram por portos iranianos conseguiram atravessar o estreito desde o início do bloqueio americano.
Líbano e Israel
O Exército israelense ordenou nesta quarta-feira a saída de moradores do Líbano localizados ao sul do rio Zahrani, sob aviso de bombardeios iminentes contra o Hezbollah. Segundo o porta-voz Avichay Adraee, as forças israelenses operam “intensamente na região”.
Ao longo do dia, Israel também atacou áreas ao sul de Beirute. De acordo com a Agência Nacional de Informação libanesa, dois carros foram atingidos em Jiyeh e Saadiyat, a cerca de 20 quilômetros da capital. As regiões, segundo a agência, não são consideradas redutos do Hezbollah.
Os ataques marcaram uma nova escalada após pressões diplomáticas que haviam contido ações contra Beirute desde os bombardeios em larga escala de 8 de abril, que deixaram mais de 350 mortos na capital e em outras áreas do país.
No sentido oposto, o Hezbollah respondeu com o lançamento de foguetes contra o norte de Israel. O Exército israelense afirmou que cerca de metade dos projéteis foi interceptada e que os demais caíram em áreas despovoadas.
A troca de ataques ocorreu um dia depois dos países terem realizado, em Washington, a primeira reunião direta em mais de três décadas. Após o encontro, o Departamento de Estado americano afirmou que as discussões foram produtivas e que as partes concordaram em iniciar negociações diretas em data e local a serem definidos.
O embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, disse que os dois países estão “do mesmo lado” no objetivo de “libertar o Líbano” da influência do Hezbollah. Já a embaixadora libanesa nos EUA, Nada Hamadeh Moawad, classificou o diálogo como “construtivo”, mas disse ter pedido cessar-fogo e defendido a “plena soberania” do Líbano.
Apesar da abertura diplomática, o Hezbollah rejeitou a aproximação. O grupo criticou as conversas e lançou foguetes contra localidades do norte de Israel no momento em que a reunião começava em Washington.
Governo Trump pressiona o Irã
Na terça-feira, o presidente Donald Trump afirmou que a guerra com o Irã está “perto de terminar” e disse acreditar que Teerã busca um acordo com rapidez.
Em entrevista à Fox News, o presidente americano repetiu que o Irã tenta “desesperadamente” chegar a um entendimento. Em conversa com a ABC, segundo relato do correspondente Jonathan Karl, Trump também disse não estar pensando em estender o cessar-fogo de duas semanas iniciado em 7 de abril.
Ao mesmo tempo, ele manteve o tom de pressão. Após o fracasso da primeira rodada de negociações em Islamabad no fim de semana, os Estados Unidos anunciaram um bloqueio total dos portos iranianos. O Centcom afirmou que 90% do comércio iraniano passa pela via marítima e que a atividade econômica do país foi “completamente interrompida”.
Trump também havia sinalizado a possibilidade de retomada das conversas com o Irã “nos próximos dois dias”, segundo entrevista ao New York Post. Dois altos funcionários paquistaneses disseram à AFP que Islamabad tenta viabilizar uma nova rodada de diálogos entre Washington e Teerã no fim desta semana ou no início da próxima.
O vice-presidente J.D. Vance, que liderou a delegação americana em Islamabad, afirmou que Washington está disposto a fazer o Irã “prosperar” economicamente se o país assumir o compromisso de “não ter uma arma nuclear”.
Trump, por sua vez, afirmou que prefere um acordo porque isso permitiria ao Irã se reconstruir. Ao comentar o conflito, também reiterou que os ataques lançados em 28 de fevereiro foram necessários porque, sem eles, “hoje o Irã teria armas nucleares”.
Movimentação internacional
A diplomacia internacional também se intensificou. O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a retomada de “negociações sérias” e afirmou que “não há uma solução militar para a crise”.
Rússia e China disseram que vão trabalhar juntas para reduzir as tensões no Oriente Médio. Em Pequim, o chanceler russo Serguei Lavrov afirmou que Moscou pode compensar o déficit de energia enfrentado pela China por causa da guerra e também se ofereceu para administrar de forma segura o urânio enriquecido do Irã em um eventual acordo.
Na Europa, França e Reino Unido articulam um plano para desbloquear o Estreito de Ormuz após o fim da guerra, sem a participação dos Estados Unidos. Segundo o Wall Street Journal, a proposta prevê retirada de navios parados, operação de desminagem e escolta militar defensiva para embarcações comerciais. A iniciativa deve começar a ser discutida nesta sexta-feira.
*Com informações de AFP, EFE e O Globo
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