Israel e Líbano fazem 1ª reunião em décadas nesta terça nos EUA

Por Carolina Ingizza 14 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Israel e Líbano fazem 1ª reunião em décadas nesta terça nos EUA

Israel e Líbano realizam nesta terça-feira, 14, em Washington, suas primeiras conversas diretas em décadas, em uma tentativa de avançar para um cessar-fogo após semanas de conflito. O encontro ocorre sob mediação dos Estados Unidos.

Antes da reunião, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirmou que o país busca “alcançar a paz e a normalização” com o Líbano, mas condicionou qualquer avanço à questão do Hezbollah. Segundo ele, “Israel e Líbano não têm grandes disputas entre si. O problema é o Hezbollah”.

Sa’ar indicou ainda que Israel pode discutir um acordo de longo prazo com o governo libanês, mas reforçou que a questão do grupo armado “deve ser abordada para poder passar a uma fase diferente”.

O encontro em Washington, o primeiro desse tipo desde 1993, reúne os embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos, Yechiel Leiter e Nada Hamadeh Moawad, com mediação do secretário de Estado americano, Marco Rubio. As conversas também contam com a participação do embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa.

O governo americano pressiona por avanços para conter o conflito e evitar impactos nas negociações com o Irã. Ainda assim, o cenário é de impasse. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, pediu o cancelamento das conversas, classificando-as como um ato de “submissão e rendição”.

Israel descarta negociar um cessar-fogo com o grupo pró-iraniano e exige seu desarmamento.

Do lado libanês, o presidente Joseph Aoun manifestou expectativa de que o encontro represente uma virada. “Espero que o encontro em Washington (...) marque o começo do fim do sofrimento do povo libanês em geral, e do sul em particular”, afirmou em comunicado. Ele acrescentou que “a estabilidade não voltará ao sul se Israel continuar ocupando suas terras”.

Conflito no Oriente Médio

O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu uma frente contra Israel, poucos dias após o início do conflito em 28 de fevereiro, com ataques israelenses e americanos ao Irã. Desde então, bombardeios israelenses no território libanês deixaram mais de 2.000 mortos e ao menos um milhão de deslocados, segundo autoridades locais.

Paralelamente às negociações, os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o Irã. O presidente Donald Trump anunciou um bloqueio naval e ameaçou afundar embarcações que tentem acessar o Estreito de Ormuz.

O Irã já havia restringido fortemente a passagem pelo estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás mundiais. O comando militar iraniano classificou a ação americana como pirataria e alertou para riscos à segurança na região.

Segundo analistas, a estratégia busca reduzir os recursos financeiros de Teerã e pressionar a China, principal compradora de petróleo iraniano, a influenciar o país a reabrir a rota marítima. Pequim, por sua vez, considerou o bloqueio “perigoso e irresponsável”.

França e Reino Unido discutem organizar uma missão para garantir a segurança da navegação no local. Apesar das tensões, o cessar-fogo de duas semanas firmado recentemente segue em vigor, ainda que de forma frágil.

Trump afirmou que representantes iranianos procuraram os Estados Unidos para retomar negociações após o fracasso de encontros recentes. Fontes paquistanesas indicam que Islamabad trabalha para viabilizar uma nova rodada de conversas entre os dois países.

Impasse nuclear mantém tensão elevada

Outro ponto central das negociações envolve o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos defendem a proibição de que o Irã desenvolva armas nucleares e teriam proposto a suspensão do enriquecimento de urânio por 20 anos.

Teerã, por sua vez, sugeriu interromper as atividades por cinco anos, proposta rejeitada por autoridades americanas, segundo o The New York Times.

*Com informações da AFP e da EFE

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