Lançamento da Meta usa IA para monitorar saúde de árvores e florestas; veja imagens
A Meta e o World Resources Institute (WRI) anunciaram nesta semana o Canopy Height Maps v2 (CHMv2), um modelo de inteligência artificial de código aberto capaz de mapear a estrutura de florestas em escala global com precisão sem precedentes.
O sistema mede a altura das copas de árvores a partir de imagens de satélite e está disponível gratuitamente para ser utilizada por governos, pesquisadores e organizações de conservação.
No Brasil, a tecnologia já está em uso: em parceria com o ICMBio, foi aplicada na Amazônia para monitorar áreas protegidas.
O material também serviu de base para um acordo de 1,3 milhão de créditos de carbono no Cerrado firmado entre a Meta e a BTG Pactual TIG, iniciativa de reflorestamento do mesmo grupo controlador da EXAME.
O problema que a ferramenta resolve
Monitorar florestas em escala sempre foi um desafio: levantamentos de campo são caros e lentos, e os dados de satélite disponíveis publicamente careciam de resolução suficiente para embasar decisões de conservação e políticas climáticas.
O CHMv2 responde a esse problema ao transformar imagens de satélite em mapas detalhados da estrutura florestal — identificando a altura de cada árvore, cada clareira e cada borda de dossel, a região de transição onde a floresta abre e as dinâmicas ecológicas são mais intensas.
Os dados têm aplicação direta no monitoramento da saúde florestal, rastreamento de restauração, detecção de degradação e estimativa de estoques de carbono.
Como funciona
No centro do CHMv2 está o DINOv3, modelo de visão computacional da Meta treinado em um vasto e diverso conjunto de imagens de satélite. O sistema aprende a identificar padrões visuais — sombras, texturas e formatos de copa — que indicam a altura da vegetação, sem depender de milhões de exemplos manualmente rotulados.
Em relação à versão anterior, os avanços são expressivos. O índice R², que mede o quanto as previsões do modelo se aproximam de medições reais em campo, saltou de 0,53 para 0,86.
Os erros médios de mapeamento caíram 30%, e o sistema passou a representar com maior fidelidade as árvores mais altas — justamente as de maior relevância ecológica e carbônica. O conjunto de dados de treinamento também foi ampliado com amostras de maior diversidade geográfica, tornando os mapas mais confiáveis em diferentes tipos de floresta ao redor do mundo.
Veja imagens:
Visão de São Paulo permite ver a falta de vegetação na região metropolitana, mas áreas verdes no litoral e interior (Captura de tela/Meta)
No Rio de Janeiro, a falta de áreas verdes é grande na capital e na região metropolitana (Captura de tela/Meta)
Na capital do país, Brasília, o cenário é crítico: pouca ou quase nenhuma vegetação considerável por percebida pela tecnologia (Captura de tela/Meta)
No Pará, as áreas verdes são mais comuns, embora em Belém sejam minoria. A capital sofre com ilhas de calor pela falta de vegetação nas áreas urbanas (Captura de tela/Meta)
No Amazonas, a capital Manaus consegue equilibrar melhor as áreas verdes e o crescimento urbano, embora também sofra com ilhas de calor (Captura de tela/Meta)
Modelo antigo da tecnologia já permitia ver o avanço da perda de vegetação. No cenário da América Latina, percebe-se que a Amazônia é a maior concentração de vegetação notada pela inteligência artificial. A falta de cobertura florestal nas regiões litorâneas também é notável, mesmo no Chile e Uruguai (Captura de tela/Meta)
Aplicações no Brasil: Amazônia
Em dezembro de 2024, após workshops com o ICMBio, a Meta passou a usar os mapas para extrapolar dados de inventário florestal e validar ações de conservação em áreas protegidas da Amazônia — regiões onde a coleta presencial de dados é logisticamente complexa e dispendiosa.
Com a maior precisão do CHMv2, a parceria ganha escala: é possível monitorar remotamente o estado de conservação de unidades de proteção integral e identificar sinais precoces de degradação.
Em setembro de 2024, a Meta firmou um acordo de 1,3 milhão de créditos de carbono com a BTG Pactual TIG. A tecnologia de mapeamento foi usada para avaliar o potencial inicial do projeto, estimando o estoque de carbono armazenado na vegetação nativa.
O Cerrado perde área continuamente para o avanço agropecuário, e ferramentas de mapeamento de alta resolução são consideradas essenciais para dar credibilidade a projetos de conservação e ao mercado de carbono na região.
Aplicações globais
Fora do Brasil, o CHMv2 já encontra terreno fértil. No Reino Unido, a agência Forest Research usa os mapas para monitorar e gerir florestas em escala nacional.
Na União Europeia, o Joint Research Centre da Comissão Europeia utilizou a versão anterior em seu mapeamento global de cobertura florestal e pretende incorporar o CHMv2 à iniciativa de plantio de 3 bilhões de árvores até 2030.
Nos Estados Unidos, os dados integram ferramentas de planejamento urbano adotadas por cidades como Atlanta, Baltimore e Nova Orleans no programa Cities for Smart Surfaces, voltado ao resfriamento de áreas metropolitanas por meio de arborização e outras intervenções.
Próximos passos
A Meta e o WRI indicam que o desenvolvimento continua. As prioridades incluem melhorar a precisão em regiões com poucos dados históricos, corrigir distorções causadas pelo ângulo de visada dos satélites e ampliar a cobertura temporal — permitindo rastrear mudanças florestais ao longo do tempo.
"O DINOv3 fortalece nossa capacidade de medir a estrutura florestal em paisagens diversas, tornando o monitoramento de restauração mais consistente e escalável", afirmou John Brandt, líder de ciência de dados do WRI.
O modelo e os mapas do CHMv2 estão disponíveis publicamente. O acesso pode ser feito a partir deste site.
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