'LinkedIn do futebol': app alemão usa IA para revelar talentos no Brasil
O Brasil é uma potência na formação de jogadores de futebol e exporta talentos globalmente mas, em um país de proporções continentais, a descoberta desses jovens ainda depende, em grande parte, de acesso, localização e sorte.
Um "ecossistema" ideal para o funcionamento de aplicativos que mapeiam possíveis talentos. Como o Cuju. A ferramenta foi criada na Alemanha e utiliza inteligência artificial para avaliar jogadores a partir de vídeos gravados no celular.
Em 2019, o agente de jogadores de futebol Roger Wittmann fundou a Rogon Technologies GmbH, empresa responsável pelo desenvolvimento do aplicativo. Wittmann tinha muita experiência com atletas entre o Brasil e a Europa e conhecia de perto as limitações do modelo tradicional de scouting. A partir daí, surgiu a ideia de usar tecnologia para ampliar o alcance da observação.
O projeto ganhou forma em 2022, quando a operação no Brasil começou. A iniciativa tem influências de nomes do futebol profissional, como o volante Luiz Gustavo, do São Paulo, um dos criadores, e o ex-goleiro da seleção brasileira Júlio César, que atua como embaixador global.
Hoje, o aplicativo já tem mais de 160 mil downloads no país.
'LinkedIn dos jogadores de futebol'
Na prática, o aplicativo funciona como uma porta de entrada digital para jovens atletas. Após baixar o app, o jogador realiza uma série de testes padronizados que avaliam fundamentos técnicos como passe, controle e finalização. Os exercícios são gravados e enviados pela própria plataforma.
A partir desses vídeos, entra em ação a inteligência artificial, que utiliza visão computacional e rastreamento de movimento para analisar o desempenho e gerar uma pontuação. O resultado é uma espécie de currículo esportivo baseado em dados.
“O CUJU é um grande gerador de leads, como o LinkedIn só que para o futebol”, explica Thaiany Klarmann, líder de marketing do CUJU.
A comparação ajuda a entender o posicionamento da empresa: em vez de substituir o processo tradicional, o aplicativo atua como um filtro inicial, conectando talentos a oportunidades de forma mais eficiente. Por isso, Klarmann deixa claro que o CUJU "não substituiu o olheiro, mas pode ajudá-lo".
Tradicionalmente, clubes investem em equipes de olheiros que percorrem diferentes regiões do país em busca de novos jogadores, um processo caro, demorado e sujeito a erros. Com a triagem feita digitalmente, o CUJU tenta reduzir esse esforço, entregando aos clubes uma base de atletas já pré-avaliados.
Do aplicativo ao campo
Para validar a tecnologia fora do ambiente digital, a empresa criou iniciativas presenciais no Brasil, como o evento “A Jornada”, que aconteceu em 2025. A proposta foi testar se os dados gerados pela inteligência artificial correspondiam à avaliação de especialistas.
Os jogadores foram selecionados exclusivamente com base nos resultados do aplicativo e participaram de testes presenciais sem que os olheiros soubessem suas pontuações. O resultado indicou convergência entre as análises, algo que, segundo Klarmann, reforça a tese de que dados podem complementar a observação tradicional.
Entre os exemplos citados pela empresa estão as jogadoras Marcela Geremias e Sophia Furtado, que chegaram à base do Corinthians após participação em iniciativas do CUJU. No masculino, jovens como Ryan Granja e Enrico Colossi passaram a integrar o Barra FC, clube de Santa Catarina que atua em parceria com a plataforma.
“O nosso maior investimento no momento é ampliação de base de dados”, diz Klarmann. Já a longo prazo, a empresa quer usar tecnologia para alterar a lógica do mercado de olheiros e democratizar o acesso ao futebol no Brasil.
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