Lula termina reunião com Trump e entrevista coletiva é cancelada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma reunião de trabalho com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, nesta quinta-feira, 7. O encontro durou quase três horas, a portas fechadas. Os dois líderes não falaram com os repórteres no Salão Oval, como costuma ocorrer nesse tipo de encontro.
Segundo o governo brasileiro, Lula pediu que a entrada dos jornalistas ocorresse ao final da conversa, e Trump teria concordado. No entanto, como a reunião demorou mais do que o previsto, a interação com os jornalistas foi cancelada.
Há a expectativa de que Lula dê entrevista coletiva ainda esta tarde, na Embaixada do Brasil em Washington, onde ele está hospedado.
Lula chegou à Casa Branca, em Washington, às 11h21 (12h21 em Brasília). Na chegada, ele foi saudado por Trump, com um aperto de mão. Após a recepção, os dois presidentes seguiram para o Salão Oval. Também houve um almoço entre os dois líderes, no qual foram servidos carne e purê de feijão, entre outros itens.
President @realDonaldTrump welcomes President Lula of Brazil to the White House 🇺🇸🇧🇷 pic.twitter.com/rZXMBcEgGH
— Margo Martin (@MargoMartin47) May 7, 2026
O que está na agenda
Na pauta do encontro, havia muitos temas, incluindo minerais críticos, combate ao crime organizado e o risco de novas tarifas ao Brasil.
O entorno do presidente Lula considera um assunto-chave a proposta do governo brasileiro aos americanos sobre cooperação para o combate ao crime organizado, já formalizada por Lula no ano passado.
Desta vez, o presidente quer expor a Trump o que o governo federal tem feito na área de segurança pública, diz reservadamente um colaborador de Lula. A pasta da Justiça prepara o lançamento, para o dia 12 de maio, um plano chamado Brasil contra o Crime Organizado, com verba prevista de R$ 1 bilhão para este ano.
Outro tópico que interessa aos dois presidentes é uma eventual parceria entre Brasil e Estados Unidos na área de exploração de minerais críticos e estratégicos.
Em meio à disputa geopolítica que trava com a China, os EUA têm buscado garantir o fornecimento de terras raras, elementos químicos cruciais para a transição energética. O Brasil, além de ter grandes reservas, debate no Congresso um marco legal para a exploração de minerais críticos.
O texto aumenta o poder do Executivo para barrar operações de fusão, aquisição ou mesmo exportações no setor. Por outro lado, concede incentivos fiscais para atividades de beneficiamento e de desenvolvimento industrial no segmento.
Seção 301: Pix, etanol e carne
Os Estados Unidos poderão impor mais tarifas ao Brasil por meio da lei chamada de Seção 301. Em julho do ano passado, uma investigação, baseada nessa lei, foi aberta pelo governo americano para analisar possíveis práticas desleais do Brasil no comércio com os EUA, em diversas áreas, como propriedade intelectual, sistema bancário (em especial o Pix) e produtos agrícolas, como carne e etanol.
Caso a investigação considere que o Brasil criou barreiras abusivas, os EUA poderão impor novas tarifas ao país. A expectativa de analistas que acompanham o tema é que uma decisão pode sair ainda no mês de maio.
Lula também tem o desafio de reduzir tarifas americanas que ainda estão em vigor.
Segundo cálculos da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), cerca de 45% das exportações brasileiras não têm sobretaxa. Cerca de 15% estão sujeitos às tarifas da Seção 232 (segurança nacional), como aço, alumínio, autopeças, cobre e alguns setores específicos.
O restante tem sobretaxa de 10% com base na Seção 122, medida adotada por Trump após a Suprema Corte derrubar as taxas adotadas por meio da regra Ieepa. A medida, no entanto, tem duração apenas de alguns meses.
Retomada da relação
No ano passado, Brasil e Estados Unidos viveram seu pior momento na relação diplomática na história. Em julho, o governo Trump anunciou uma tarifa de importação de 50% a produtos brasileiros, além de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
As medidas tinham como objetivo pressionar o Brasil a cancelar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O impasse foi desfeito a partir de setembro. Após uma série de conversas de bastidores, envolvendo tanto autoridades quanto empresários e entidades setoriais, o presidente Trump se reuniu com o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. Após a conversa, os dois disseram que houve uma "química" entre eles.
Depois disso, vieram outras conversas entre os dois presidentes e uma série de alívios ao tarifaço, como a retirada de mais produtos da lista e uma sinalização de normalização das relações. Os dois presidentes tiveram uma reunião presencial em outubro, na Malásia, que transcorreu bem. Na época, o governo americano recuou de mais medidas contra o Brasil.
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