Lululemon mira público esportivo e lança tecnologia contra o suor
A Lululemon, uma das principais referências globais de athleisure e popular entre mulheres que fazem do exercício um estilo de vida, tenta reforçar sua presença no esporte de alto nível em 2026 ao mesmo tempo em que busca por um novo CEO. A marca canadense anunciou, nesta semana, o ShowZero, nova tecnologia de fios desenvolvida para disfarçar o suor nas peças.
Criado em parceria com o tenista profissional e embaixador da marca Frances Tiafoe, trata-se de um tecido que altera a forma como a luz interage com o material e torna o suor praticamente invisível, além de absorver a umidade, segundo informações da Athletech News.
A novidade foi apresentada antes do BNP Paribas Open, torneio em que Tiafoe competirá usando um uniforme personalizado. Com isso, a Lululemon amplia seu conceito ShowZero, que já existia para praticantes de golfe, lançado em 2024 em colaboração com o jogador do PGA Tour Min Woo Lee. Novos produtos com a tecnologia devem chegar ao mercado ainda este ano.
Momento de transição
O movimento ocorre em meio a um dos períodos mais turbulentos da história da Lululemon. O CEO Calvin McDonald deixou o cargo em janeiro após sete anos e, desde então, a diretora financeira Meghan Frank e o diretor comercial André Maestrini assumiram como co-CEOs interinos enquanto o conselho busca um novo executivo.
A sucessão se tornou mais complexa com a entrada potencial da gestora ativista Elliott Investment Management, cuja participação na empresa já é superior a US$ 1 bilhão. Reportagens do Wall Street Journal e da Reuters indicam que Jane Nielsen, ex-diretora financeira e de operações da Ralph Lauren, é uma possível candidata ao cargo.
Ao mesmo tempo, Chip Wilson, fundador da Lululemon e um dos seus maiores acionistas, tem se colocado contra o conselho. Em carta pública enviada aos investidores em 27 de fevereiro, Wilson afirmou que as ações da empresa perderam quase metade do valor nos últimos cinco anos, numa perda de cerca de US$ 20 bilhões em patrimônio dos acionistas.
O empresário também indicou três nomes independentes para o conselho — Marc Maurer, ex-co-CEO da On Holding; Laura Gentile, ex-CMO da ESPN; e Eric Hirshberg, ex-CEO da Activision Publishing — com prazo até 13 de março.
Em comunicado, o conselho afirmou que pediu repetidamente a oportunidade de entrevistar os indicados, mas que Wilson condicionou o acesso à concordância prévia com um conjunto completo de termos de acordo. A empresa classificou o impasse como "lamentável" e disse permanecer aberta ao diálogo.
De olho no esporte
Em meio a tudo isso, a Lululemon acelera sua estratégia para ganhar espaço no esporte profissional e entre fãs de ligas. No ano passado, a empresa fechou um acordo para produzir produtos licenciados da NFL para todos os 32 times da liga, após um contrato semelhante com os clubes da NHL.
A aposta também dialoga com o crescimento do público esportivo feminino, o mais atendido pela marca. Segundo a consultoria Sports Innovation Lab, o mercado esportivo voltado para fãs mulheres movimenta cerca de US$ 4 bilhões por ano, e 79% delas afirmam que comprariam mais itens se existissem melhores opções disponíveis.
A marca também tem apostado em experiências presenciais para reforçar sua presença cultural. Recentemente, inaugurou o Studio Yet, uma academia pop-up de três semanas na Melrose Avenue, em Los Angeles, com aulas conduzidas por treinadores como Akin Akman, fundador da AARMY, e Dani Coleman, da Pvolve.
Concorrência premium e expansão internacional
A pressão competitiva também explica a movimentação da empresa, com marcas como Vuori e Gymshark ganhando espaço no mercado premium de athleisure, bem como a parceria entre Nike e Kim Kardashian, que gerou a NikeSkims e, consequentemente, uma nova concorrente no setor.
Até a H&M passou a investir no esportivo, com uma coleção focada em bem-estar liderada pelo tecido SculptMove, inspirado em práticas como Pilates aquático, saunas infravermelhas e banhos de água fria.
Mesmo com todos os percalços, a Lululemon segue com seus planos de crescimento global, de olho na Grécia, Áustria, Polônia, Hungria, Romênia e Índia, que devem receber produtos ainda este ano.
Por ora, o próximo capítulo da estratégia dependerá, em partes, do novo CEO. A companhia divulga os resultados do quarto trimestre e do ano fiscal de 2025 em 17 de março.
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