LVMH vende Marc Jacobs para a WHP Global e sinaliza foco em "megabrands"
O rumor que circulava nos bastidores desde o ano passado foi confirmado. A LVMH anunciou nesta quinta-feira, 14, a venda da Marc Jacobs para a WHP Global. A transação, cujos valores não foram oficialmente revelados, coloca a etiqueta nova-iorquina no mesmo portfólio de nomes como Vera Wang e Rag & Bone.
A WHP Global contará com a parceria da G-III Apparel Group — que comprou a Donna Karan da LVMH em 2016 — para gerenciar as operações diretas ao consumidor e o atacado global da marca. Com a aquisição, a WHP Global projeta ultrapassar a marca de US$ 9,5 bilhões em vendas anuais no varejo.
Em comunicado, Bernard Arnault foi diplomático: "Marc Jacobs é um designer de criatividade rara. Agradeço calorosamente por sua contribuição ao sucesso da maison e do Grupo LVMH nos últimos 30 anos".
A saída de Jacobs do portfólio da LVMH sinaliza uma mudança de postura do clã Arnault. Em meio à desaceleração prolongada nas vendas de luxo global, o conglomerado francês está limpando o terreno. O objetivo, agora, é concetrar energia e capital em marcas "megatunadas" e estratégicas, como Louis Vuitton e Dior, e se desfazer de ativos que exigem manutenção complexa.
O movimento segue as vendas recentes da Off-White e da participação na Stella McCartney, além de rumores sobre o futuro da Fenty Beauty, de Rihanna.
O fim de uma era para Bernard Arnault
A relação entre Marc Jacobs e a LVMH é um dos pilares da moda contemporânea. Em 1997, quando Jacobs assumiu a direção criativa da Louis Vuitton, o grupo adquiriu a participação majoritária em sua marca própria. Sob o guarda-chuva francês, ele deixou de ser um nome de nicho em Nova York para se tornar um fenômeno global.
Na década de 2000, a marca homônima de Jacobs era onipresente. Eram 250 lojas e a linha Marc by Marc Jacobs no domínio das lojas de departamento. Em 2010, no entanto, o posicionamento de "designer premium" ficou comprometido. Espremida entre o avanço do mercado de ultra-luxo e a agilidade do fast fashion, a Marc Jacobs perdeu tração. Estima-se que, nos anos que antecederam a pandemia, a marca acumulava prejuízos anuais superiores a 50 milhões de euros.
Para sobreviver, a marca precisou de uma reforma radical nos últimos cinco anos. Fechou a maioria de suas boutiques — incluindo a icônica flagship da Mercer Street — e mudou o foco. Em vez de roupas de passarela para centenas de pontos de venda, a estratégia passou a ser a venda de bolsas com preços competitivos (apenas um degrau acima de marcas como Coach e Michael Kors) e a aposta na linha Heaven, focada na Geração Z.
Embora a LVMH tenha elogiado o "desempenho notável" dessa reestruturação em 2023, o cenário de 2024 e 2025, marcado por consumidores mais cautelosos, tornou a permanência da marca no grupo insustentável sob a ótica de Bernard Arnault. Hoje, a Marc Jacobs está mais exposta à volatilidade econômica e à cautela da classe média do que casas de altíssimo padrão, como Loro Piana ou Louis Vuitton, que atendem ao público ultra-rico e seguem resilientes.
O futuro com a WHP Global
Diferente da LVMH, que foca na construção de patrimônio e prestígio de longo prazo, a WHP Global é especialista em licenciamento e expansão de alcance. Marc Jacobs continuará como diretor criativo para manter a credibilidade artística da casa, enquanto a nova proprietária (em parceria com a G-III Apparel Group) cuidará da distribuição e do varejo.
Em nota, Jacobs demonstrou gratidão: "Sou eternamente grato a Bernard Arnault pelo apoio e confiança nos últimos 30 anos. Foi uma honra trabalhar ao lado da família Arnault e da LVMH".
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: