María Corina anuncia retorno à Venezuela 'em poucas semanas'
A líder opositora María Corina Machado afirmou neste domingo, 1º, que retornará à Venezuela "em poucas semanas", após três meses no exílio. Ela deixou o país depois de uma fuga para Oslo, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Machado voltará a um cenário político diferente. Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA, e Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interna.
"Durante anos, dissemos que este regime só renunciaria ao poder quando confrontado com força real e uma ameaça crível. Primeiro, tínhamos que derrotá-lo espiritualmente, depois politicamente, depois eleitoralmente e, finalmente, militarmente. Dissemos que aconteceria, e aconteceu", afirmou Machado em um vídeo publicado em suas redes sociais.
Autoridades venezuelanas, como o ex-procurador-geral Tarek William Saab, a classificaram como "foragida" da Justiça e a acusaram de "pedir" uma intervenção militar contra o país.
"Vou regressar em poucas semanas à Venezuela. Quero fazer isso, assim como centenas de milhares de venezuelanos exilados ao redor do mundo. Chegaremos para nos abraçar, trabalhar juntos e garantir uma transição ordenada, sustentável e inabalável para a democracia", contou.
Agenda no exterior
Durante o exílio, Machado permaneceu principalmente nos Estados Unidos. No período, reuniu-se com o presidente Donald Trump, o secretário de Estado Marco Rubio, congressistas, senadores, chanceleres de diferentes países e líderes empresariais. Também afirmou ter se encontrado com chefes de Estado, sem detalhar quais.
Trump, que afirma estar no comando da Venezuela, declarou após uma reunião em que Machado lhe entregou o prêmio Nobel que gostaria de "envolvê-la de alguma maneira" no governo venezuelano. Ao mesmo tempo, disse estar satisfeito com a gestão de Delcy Rodríguez como presidente interina.
Eleições e repressão
Maria Corina liderou a campanha de Edmundo González Urrutia nas eleições presidenciais de 2024, marcadas pela polêmica reeleição de Maduro e por denúncias de fraude feitas pela oposição.
Após o pleito, uma onda repressiva a obrigou a permanecer na clandestinidade por mais de um ano, até fugir em dezembro de 2025 em uma operação descrita como cinematográfica, com apoio de uma empresa norte-americana.
Ela seguiu para Oslo para receber o prêmio concedido pelo Instituto Nobel, "por seu trabalho incansável promovendo os direitos democráticos".
Machado tem defendido a necessidade de "cobrar" a vitória da oposição. Em seu discurso, afirmou que pretende "estabelecer os consensos para alcançar a governabilidade em todo este processo de transição e na Venezuela democrática". Também pediu aos venezuelanos que se preparem para "uma nova e gigantesca vitória eleitoral".
*Com informações da AFP
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