Mercado imobiliário bate recorde, movimenta R$ 264 bi e SC lidera no Sul
Ao contrário de boa parte das previsões, o mercado imobiliário brasileiro teve um desempenho acima do esperado, movimentando R$ 264,2 bilhões em 2025, alta de 3,5% em relação a 2024,
A região Sul se firmou como um dos principais eixos de crescimento, com Santa Catarina avançando 14,4% no VGV e 8,5% em unidades, o Paraná crescendo 5,3% em valor e 5,7% em volume, enquanto o Rio Grande do Sul acompanhou a média nacional em valor e volume.
No Brasil, foram 453 mil lançamentos, alta de 10,6% em relação a 2024, e 426 mil unidades vendidas, mantendo a expansão do setor
Análise feita a partir do Senior Index, indicador da Senior Sistemas, de Blumenau, em conjunto com dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), revela um setor resiliente, com crescimento mesmo diante de um dos cenários macroeconômicos mais desafiadores dos últimos anos. A EXAME teve acesso aos dados com exclusividade.
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com desempenho positivo, mesmo em um ambiente de crédito restritivo, com a taxa básica de juros próxima de 15% ao longo do ano. O setor registrou recordes históricos em lançamentos e manteve crescimento consistente em vendas e preços — sustentado por políticas públicas habitacionais, demanda reprimida e estratégias de adaptação das empresas.
Segundo a CBIC, foram lançadas 453.005 unidades residenciais em 2025, alta de 10,6% em relação a 2024, estabelecendo um recorde histórico. As vendas somaram 426.260 unidades, crescimento de 5,4%, enquanto o Valor Geral de Vendas (VGV) atingiu R$ 264,2 bilhões no país, avanço de 3,5%. No quarto trimestre, o ritmo permaneceu consistente, com 109.439 unidades vendidas, com forte contribuição do Sudeste.
No recorte analisado pelo Senior Index, o desempenho foi ainda mais robusto: o VGV nacional cresceu 7,3%, com aumento de 5,0% na quantidade de unidades comercializadas e valorização média de 10,4% no preço do metro quadrado.
Sul ganha protagonismo
Dentro de um mercado que movimentou mais de R$ 264 bilhões no país, a região Sul consolidou sua posição como um dos polos mais dinâmicos do setor, com crescimento consistente em valor e volume — e com Santa Catarina liderando o avanço regional.
Santa Catarina foi o principal destaque, com crescimento de 14,4% no VGV e aumento de 8,5% na quantidade de unidades comercializadas, refletindo um mercado impulsionado por qualidade de vida, expansão urbana e forte demanda em cidades médias e litorâneas.
Na sequência, o Paraná apresentou desempenho sólido, com avanço de 5,3% no VGV e crescimento de 5,7% nas unidades vendidas, indicando um mercado aquecido mesmo em um ambiente de crédito restritivo.
O Rio Grande do Sul manteve uma trajetória de crescimento alinhada à média nacional, tanto em valor quanto em volume de unidades, reforçando o perfil de mercado mais maduro e sustentado por demanda local consistente., com alta de 3,5% no VGV e 10,6% em novas unidaes.
No consolidado, a região Sul registrou crescimento de 5,2% no VGV e avanço de 11,3% na quantidade de unidades, posicionando-se como um dos principais vetores de expansão fora do eixo tradicional.
No litoral norte de Santa Catarina, cidades como Itapema, Balneário Camboriú e Itajaí consolidam um dos mercados mais valorizados do país, com alguns dos metros quadrados mais caros do Brasil, impulsionados pela combinação entre escassez de terrenos, demanda de alta renda e forte apelo turístico.
Resiliência estrutural
Mesmo com o custo do financiamento pressionado pela Selic elevada, o desempenho do mercado foi sustentado por fatores estruturais. O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas em 2025, com crescimento anual de 13,5% e 15,9%, respectivamente.
Regiões fora do eixo tradicional também ganharam protagonismo. O Norte registrou aumento de 68,8% nos lançamentos do quarto trimestre na comparação anual, enquanto o Nordeste avançou 27,4% no mesmo indicador e liderou o crescimento no VGV, com alta de 27,1%.
No Sudeste, houve aumento mais moderado de 1,1% no VGV, mas com valorização expressiva de 12,7% no preço do metro quadrado, refletindo a pressão de preços em mercados mais consolidados. O Centro-Oeste apresentou crescimento de 6,0% no VGV e 0,9% na quantidade de unidades, mantendo trajetória estável.
Os indicadores de preços corroboram o cenário de demanda contínua. O índice FipeZap acumulou valorização próxima de 8% nos 12 meses até abril de 2025, ritmo acima da inflação, indicando capacidade do mercado de repassar custos e preservar margens.
Apartamentos e condomínios concentraram cerca de 77% das receitas imobiliárias, refletindo a preferência por moradia urbana e produtos verticais. “O ano de 2025 serviu como uma prova clara da resiliência estrutural do mercado imobiliário brasileiro diante de um ciclo de juros elevados”, afirma Marcos Malagola, diretor do segmento de Construção da Senior Sistemas. “A capacidade de adaptação das empresas, aliada à existência de demanda reprimida e ao papel dos programas habitacionais, sustentou um crescimento que muitos analistas consideravam improvável.”
Novo ciclo
As projeções para 2026 indicam um ambiente mais favorável. A CBIC estima crescimento de 2,0% no PIB da construção, apoiado pela expectativa de estabilização e possível redução gradual da Selic, volume recorde de recursos do FGTS destinados à habitação e metas ampliadas do Minha Casa Minha Vida, que projeta até 3 milhões de unidades nos próximos anos.
No longo prazo, estimativas baseadas em análises de cenário global indicam expansão gradual do mercado imobiliário brasileiro ao longo da próxima década, com crescimento médio anual próximo de 2,5%.“A melhora das condições de financiamento prevista para 2026, somada à experiência adquirida pelos agentes do setor em operar sob juros elevados, sugere que estamos à beira de um novo ciclo, possivelmente menos volátil e mais orientado pela demanda real”, afirma Malagola.
Os dados de 2025 reforçam uma leitura central: longe de um movimento homogêneo, o mercado imobiliário brasileiro mostrou capacidade de adaptação em um dos ambientes mais desafiadores dos últimos anos, com ganhos relevantes em regiões e segmentos específicos.
“Embora os desafios persistam, especialmente no acesso ao crédito para famílias de renda média, a trajetória recente indica que o setor imobiliário está em processo de ajuste. Os dados apontam que 2026 pode marcar um ponto de inflexão relevante, com bases mais sólidas para um crescimento sustentável”, completa o executivo.
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