Mercados sobem com plano de paz dos EUA no Oriente Médio
A perspectiva de um cessar-fogo no conflito entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã impulsionou os mercados globais nesta quarta-feira, 25, após os EUA elaborarem um plano de 15 pontos para encerrar as hostilidades.
O movimento reduziu, a priori, a aversão ao risco entre investidores e provocou queda expressiva no preço do petróleo, enquanto bolsas na Europa e na Ásia registram ganhos, refletindo certo alívio dos mercados.
Índices e ativos
Os futuros do S&P 500 avançaram 0,90% e os do Nasdaq 100 subiram 1%, ao passo que os contratos futuros do Dow Jones registraram alta de 0,9%.
Na Europa, o Stoxx 600 subiu 1,6%, encaminhando-se para o terceiro pregão consecutivo de ganhos desde o início do conflito.
No mercado de renda fixa, o rendimento dos títulos públicos de dez anos dos EUA, Treasuries, caiu três pontos-base, a 4,33%.
A queda no preço do petróleo, ademais, foi o principal catalisador para uma revisão das expectativas sobre a política monetária: o óleo do tipo West Texas Intermediate, referência nos EUA, desabou 5,1%, a US$ 87,62 o barril.
Agora, os mercados precificam menos de 20% de chance de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2026, conforme a agência.
Cautela no mercado
Apesar da recuperação, o S&P 500 segue no caminho para registrar a maior perda mensal em um ano. O cenário mantém o humor dos investidores dividido entre o alívio do dia e a incerteza estrutural do conflito.
O diretor de investimentos da ABN Amro Investment Solutions, Christophe Boucher, vê que "há uma recuperação do apetite por risco esta manhã, (...) mas para nós este não é o momento de comprar o rali."
Ele ponderou à Bloomberg que o avanço reflete, em grande parte, a reação de algoritmos às palavras-chave "paz", "negociação" e "cessar-fogo".
Head de estratégia do Singular Bank, Roberto Scholtes acrescentou que os mercados de renda fixa e de ações ainda embutem cenários distintos para o conflito.
"Essas perspectivas devem convergir quando a visibilidade melhorar, provavelmente retornando a um cenário mais benigno", detalhou Scholtes à agência.
Geopolítica ainda em aberto
O avanço dos mercados ocorre em um contexto ainda instável. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo, permanece fechado, e o Irã manteve ataques a países vizinhos.
Autoridades do regime sinalizaram que a República Islâmica não está disposta a negociar no momento.
O head de estratégia europeu do Santander Asset Management, Francisco Simón, afirmou, neste cenário, que a sustentabilidade do rali depende de uma resposta construtiva por parte do Irã.
"A paisagem geopolítica regional permanece complexa, envolvendo múltiplos atores — sobretudo o Irã, que mantém poder de barganha relevante —, introduzindo uma camada adicional de risco, particularmente pelo canal energético."
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