México: morte de traficante causa onda de violência e caos no país

Por institucional 23 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
México: morte de traficante causa onda de violência e caos no país

Uma operação militar conjunta entre o México e os EUA nesse domingo, 22, resultou na morte de um dos mais importantes líderes do narcotráfico no país, Nemesio “El Mencho” Oseguera, 60, que estava no topo da lista de procurados em ambos os países. A operação custou a vida de sete integrantes do cartel, incluindo Oseguera, e feriu três policiais.

Mente por trás de um dos maiores cartéis do México, o Cartel Jalisco Nueva Generacíon (CJNG), sua morte resultou em uma onda de violência retalitória em mais de meia dúzia de estados, protagonizada por membros do crime organizado.

A violência inclui bloqueios pelas principais vias do estado, trocas de tiro esporádicas em conflitos com autoridades e diversos incêndios em estabelecimentos e veículos — mesmo assim, as únicas baixas até então foram as que ocorreram durante a operação original.

Nesse cenário, a embaixada dos EUA no México emitiu um comunicado, recomendando que "devido às operações de segurança em curso em vários estados e aos bloqueios de rodovias e atividades criminosas relacionadas, cidadãos norte-americanos nessas regiões devem buscar abrigo até novo aviso".

A operação conjunta contra o CJNG se deu após a designação do cartel como uma organização terrorista pela administração do presidente americano, Donald Trump, o que resulta em ferramentas legislativas para os EUA que permitem operações desse tipo no exterior, como a que removeu o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, do poder em janeiro.

Quem era o líder do cartel

Nemesio Oseguera nasceu em 1966 em um vilarejo nas montanhas do estado de Michoacán, conhecido por ser um lugar violento.

Quando criança, fazia diversos trabalhos nos campos, mas migrou para os EUA na década de 1980, onde residiu na Califórnia. Durante seu tempo no estado americano, foi detido diversas vezes por pequenos delitos, e em meados da década seguinte se envolveu com a venda de drogas, o que resultou na sua deportação.

Em seu retorno para o México, se tornou policial em um município no estado de Jalisco, onde acabou orbitando para dentro do círculo de proteção do narcotraficante Armando “El Maradona” Cornelio, então chefe do cartel Los Valencia, também conhecido como Cartel del Milenio.

Após uma fragmentação na aliança entre o Cartel del Milenio e outra influente organização criminosa, o Cartel de Sinaloa, nasceu o CJNG, que seria um solo fértil para a carreira criminosa de Oseguera.

O CJNG cresceu rapidamente de uma quadrilha local operando apenas nos estados de Jalisco e Colima para um poderoso cartel com presença em mais da metade do México.

O crescimento se deu por muitos fatores, como a captura e morte de muitos dos principais líderes de cartéis rivais, que se fragmentaram ou foram extintos, o recrutamento de especialistas em áreas como finanças, contabilidade e química, que melhoraram a administração interna e produção de drogas sintéticas da organização, e os altos níveis de violência na condução de suas atividades.

Em particular, Oseguera se destacou como um criminoso violento e rapidamente subiu pelos níveis do cartel, passando a ser considerado um indivíduo de alta periculosidade pelas autoridades.

Dispondo de armamentos pesados, como metralhadoras automáticas, lançadores de granadas e foguetes, o CJNG conduzia atos violentos, incluindo decapitações, para intimidar seus rivais.

Com o tempo, as ambições e influências do cartel cresceram, com o CJNG criando negócios nos setores agropecuário e de construção para lavagem de dinheiro e corrompendo autoridades, facilitando o comércio e fabricação de drogas sintéticas pelo país.

Suas atividades violentas e seu papel como líder do CJNG, juntamente com o alto fluxo de drogas que seu cartel enviava para os EUA, resultaram em uma recompensa de US$ 15 milhões por informação que levasse à prisão de Oseguera, imposta pela agência de combate aos narcóticos dos EUA, a DEA.

A operação que matou “El Mencho”

Conduzida por meio de uma cooperação entre os EUA  e o México, a operação ocorreu em Tapalpa, um município em Jalisco, e contou com forças e aeronaves da Força Eérea Mexicana e da Força Especial de Reação Imediata da Guarda Nacional do país, sobre informações obtidas pela inteligência americana.

Antes da missão começar oficialmente, as forças militares foram atacadas pelo cartel, resultando em um tiroteio que levou a vida de sete traficantes, entre eles Oseguera, que morreu de seus ferimentos enquanto era levado por ar para tratamento, e feriu três militares.

Dois suspeitos foram detidos e, subsequentemente, “diversas armas e veículos blindados, incluindo lançadores de foguetes capazes de derrubar aeronaves e destruir veículos blindados”, foram apreendidas, informam as autoridades locais.

O filho mais velho de Oseguera, conhecido como "El Menchito", foi condenado no ano passado nos Estados Unidos à prisão perpétua. Os possíveis cenários são que o cartel continue operando sem seu líder ou que entre em uma guerra interna pelo comando.

Em caso de conflito interno, "teríamos um aumento da violência homicida", disse à AFP o especialista em segurança da ONG Crisis Group David Saucedo. "Ao não haver uma sucessão direta, cria-se um vazio de poder que abre a possibilidade de gerar rearranjos violentos dentro da organização", explicou o analista para a agência.

Com informações da AFP

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