‘Michael’: o que é verdade e mentira na cinebiografia do Rei do Pop

Por Carolina Ingizza 27 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘Michael’: o que é verdade e mentira na cinebiografia do Rei do Pop

A cinebiografia “Michael”, sobre o cantor Michael Jackson, chegou aos cinemas como um fenômeno global.

O longa estreou acumulando US$ 97 milhões nas bilheterias nos Estados Unidos e cerca de US$ 217 milhões no mundo no primeiro fim de semana de exibição. Esse é o melhor desempenho da história para uma biografia musical, superando títulos como “Bohemian Rhapsody” e “Straight Outta Compton: A História do N.W.A”.

O desempenho chama atenção ainda mais pelo contraste com a recepção da crítica. Apenas 38% das avaliações foram positivas no site Rotten Tomatoes, enquanto o público reagiu de forma oposta: o filme recebeu nota “A-” no CinemaScore.

Com orçamento próximo de US$ 200 milhões, um dos mais altos já registrados para uma cinebiografia, o projeto enfrentou mudanças relevantes nos bastidores, incluindo refilmagens após questões legais envolvendo o espólio do cantor.

Mas, afinal, o que o filme retrata com fidelidade sobre a vida do cantor — e o que foi alterado? Veja abaixo.

Joseph Jackson agredia Michael quando criança?

Colman Domingo: ator interpreta Joe Jackson na cinebiografia 'Michael'.  (Lionsgate/Divulgação)

Sim, mas há versões diferentes. Michael acusou o pai, Joseph Jackson (interpretado por Colman Domingo), de agressões com cintos e até “fios de ferro”. O próprio Joseph admitiu ter usado punições físicas, dizendo que castigava o filho com “vara e cinto”, mas negou que o tenha agredido. “Eu não bati nele, você bate em alguém com um pau", disse.

O filme também mostra o pai chamando o filho de “nariz grande”, mas há relatos que indicam que o apelido vinha dos irmãos. Joseph negou ter usado o termo, embora algumas publicações tenham sugerido o contrário.

Michael demitiu o pai por fax?

Não. O filme dramatiza uma ruptura direta, mas isso não ocorreu dessa forma. Segundo o próprio Joseph, ele chegou a contratar os empresários Ron Weisner e Freddy DeMann para ajudar na gestão da carreira de Michael no início dos anos 1980.

Em março de 1983, no auge de “Thriller”, esses contratos de gestão expiraram. A partir daí, Michael passou a trabalhar com Frank DiLeo, então ligado à Epic Records.

O cantor tinha animais exóticos em casa?

Sim. A família Jackson mantinha diversos animais, incluindo pavões, tigres, leões, avestruzes, cães e o chimpanzé Bubbles, que chegou a usar roupas e interagir com o ambiente doméstico.

Ele continuou morando com os pais após o sucesso?

Sim. Mesmo após o sucesso global de “Thriller”, Michael permaneceu na casa da família em Encino, em Los Angeles.

Embora tenha adquirido um imóvel próprio no início dos anos 1980, ele só deixou definitivamente a casa dos pais em 1988, quando comprou o Rancho Neverland (Terra do Nunca), na Califórnia.

Nia Long: atriz interpreta Katherine Jackson no filme 'Michael' (Lionsgate/Divulgação)

Michael ajudou a unir gangues de Los Angeles?

Sim, em parte. Para o clipe de “Beat It”, Michael queria um conceito inspirado em “Amor, Sublime Amor” e pediu que seu empresário organizasse um encontro com membros das gangues Crips e Bloods.

Relatos da época indicam que cerca de 80 integrantes participaram das filmagens. No entanto, não há confirmação de que o cantor tenha ido pessoalmente a um clube recrutar membros, como sugere o filme.

Um executivo ameaçou a MTV para exibir 'Billie Jean'?

Depende de quem conta a história. Walter Yetnikoff, então chefe da CBS Records, afirmou em sua autobiografia que ligou para a MTV e ameaçou retirar artistas da gravadora da programação caso o clipe não fosse exibido — relato que, segundo executivos da Epic Records da época, teria ocorrido em conversa com Bob Pittman, então CEO da emissora.

Por outro lado, executivos da MTV daquele período contestam essa versão. Les Garland, que atuava na área de programação do canal, afirmou que isso “nunca aconteceu” e classificou a história como “folclore”.

De toda forma, “Billie Jean” estreou na MTV em março de 1983 e ajudou a ampliar o espaço para artistas negros na programação do canal, até então dominada por nomes do rock branco.

O cabelo de Michael Jackson pegou fogo na gravação de um comercial?

Sim. O acidente ocorreu durante as gravações de um comercial da Pepsi, em 1984. Imagens reais mostram o momento em que o cabelo do cantor pega fogo, sendo rapidamente apagado pela equipe.

Após o acidente, Michael recebeu uma indenização de US$ 1,5 milhão, que doou para criar um centro de tratamento de vítimas de incêndios em um hospital na Califórnia. O que não aparece é que, após o acidente, Michael passou a usar analgésicos, o que mais tarde levaria à dependência, segundo relatos do próprio artista.

Michael visitava crianças doentes em hospitais?

Sim. O filme mostra o cantor visitando crianças e fazendo doações. Há registros de que Michael realizou diversas visitas não divulgadas a hospitais em cidades por onde passava em turnês, como Sydney, Roma e Londres.

Jackson 5: Judah Edwards interpreta o jovem Tito; Jaylen Hunter, o jovem Marlon; Juliano Krue Valdi, o jovem Michael; Nathaniel McIntyre, o jovem Jackie; e Jayden Harville, o jovem Jermaine (Lionsgate/Divulgação)

Quincy Jones teve papel pequeno em 'Thriller'?

Não. O filme minimiza a participação de Quincy Jones, mas ele foi fundamental na carreira solo de Michael. Jones produziu álbuns como “Off the Wall”, “Thriller” e “Bad”, trabalhando com uma equipe de músicos e compositores que ajudaram a definir o som desses projetos. A parceria entre os dois só começou a se desgastar durante a produção de “Bad”, em 1987.

Michael criou o título 'Thriller'?

Não. A faixa-título foi criada por Rod Temperton, que inicialmente trabalhava em uma música chamada “Starlight”. O nome “Thriller” surgiu posteriormente, após o compositor reescrever a canção.

O filme omite polêmicas da vida do cantor?

Sim. A narrativa termina em 1987, com o lançamento de “Bad”, antes das acusações que marcaram a fase final da carreira do artista. O roteiro original incluía essas questões, mas precisou ser refeito após o espólio de Michael identificar restrições legais ligadas a acordos judiciais dos anos 1990. As mudanças exigiram refilmagens que custaram entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões.

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