Mike Krieger, brasileiro criador do Instagram: 'Com IA poderia ter criado app em 2h'
Por Rodrigo Lóssio*
Mike Krieger, hoje na Anthropic, afirma no Brazil at Silicon Valley que inteligência artificial acelera o desenvolvimento, mas não substitui o processo de descoberta de produto
Um dos produtos mais icônicos da última década, o Instagram, poderia hoje ser reconstruído em poucas horas. “Foram basicamente duas horas”, afirmou Mike Krieger, cofundador da rede social e atual líder da Anthropic Labs, ao relatar um teste em que utilizou inteligência artificial para recriar o Burbn — aplicativo que deu origem ao Instagram.
A provocação, feita durante o Brazil at Silicon Valley, sintetiza a velocidade com que a IA vem transformando o desenvolvimento de software. Segundo Krieger, tarefas que antes levavam meses podem ser executadas em horas — mas isso não elimina a complexidade de construir um produto relevante.
Velocidade aumenta, mas descoberta continua humana
Apesar do avanço técnico, Krieger destacou que a etapa mais crítica segue sendo a definição do produto. “A jornada faz parte do processo tanto quanto saber qual é o resultado final”, disse.
Na prática, a IA acelera a execução, mas não substitui a necessidade de testar hipóteses, iterar e entender o comportamento do usuário. “Ainda existe muito de humano no empreendedorismo que continua sendo essencial”, afirmou.
Essa mudança altera o papel dos fundadores: menos foco na construção técnica e mais na tomada de decisões sobre o que construir — e por quê.
Reescrever sistemas deixa de ser exceção
Outro ponto central da fala foi a mudança na forma como empresas devem pensar sua arquitetura tecnológica. Segundo Krieger, um dos princípios clássicos da engenharia — evitar reescrever sistemas do zero — pode deixar de valer na era da IA.
“Eu acho que isso deixou de ser verdade”, afirmou. “Pode fazer sentido reescrever grandes partes da sua base tecnológica com esses modelos.”
A lógica, segundo ele, é que muitas limitações atuais não estão mais na tecnologia ou nas ideias, mas na infraestrutura existente. Com novas ferramentas, reconstruir produtos inteiros pode ser mais eficiente do que adaptá-los.
Do código aos fluxos de trabalho
Krieger também apontou uma mudança estrutural na forma como o trabalho digital é organizado. “Muita coisa pode ser reduzida a procedimentos que podem ser transformados em código”, disse.
Esse movimento amplia o escopo da automação para além da engenharia e passa a atingir áreas como marketing, finanças e operações, à medida que agentes de IA assumem tarefas antes executadas manualmente.
Vantagem competitiva está no contexto
Para além da tecnologia, o executivo reforçou que o diferencial competitivo não está nos modelos em si, mas na capacidade de aplicar IA a problemas reais. “Entender um mercado e entender indústrias nunca foi tão importante”, afirmou.
Nesse ponto, Krieger destacou o potencial de países como o Brasil, onde a complexidade regulatória e operacional pode se tornar uma vantagem para a criação de soluções mais robustas e difíceis de replicar.
*Rodrigo Lóssio é jornalista especializado em tecnologia e sócio-fundador da Dialetto Comunicação
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