Motz, de transporte, atinge R$ 2 bi em 2025 e mira nova safra recorde para 2026
A Motz, transportadora digital, encontrou no agronegócio o principal motor de crescimento e escala em 2025. No ano passado, a empresa atiingiu R$ 2 bilhões em receita líquida, alta de 33% em relação a 2024, em um movimento puxado sobretudo pelo avanço no transporte de grãos e insumos agrícolas.
Para André Pimenta, CEO da companhia, mais do que crescimento financeiro, o ano marcou a consolidação da empresa dentro da cadeia logística do agro. A estratégia agora é aprofundar essa presença em 2026, com expectativa de alta de 16% no faturamento e expansão do volume transportado.
O transporte de grãos lidera a operação da Motz no campo. O volume movimentado no agronegócio saltou de 1,64 milhão de toneladas em 2024 para 3,21 milhões em 2025, refletindo o avanço da empresa em rotas estratégicas e sua maior capilaridade.
Na divisão por culturas, a soja aparece como protagonista, mais que dobrando de volume e atingindo 1,24 milhão de toneladas em 2025. O milho seguiu o mesmo ritmo, ultrapassando 1 milhão de toneladas em 2025, enquanto fertilizantes avançaram de forma mais moderada, mas consistente.
Segundo o CEO, o crescimento está ligado ao posicionamento da empresa nas principais fronteiras agrícolas do país. “A gente avançou muito na regionalização, atacando regiões como Mato Grosso, Goiás e Matopiba”, afirma.
A Motz, que nasceu em 2020, é uma transportadora digital, nascida como um spin-off da Votorantim Cimentos, que atua na conexão entre motoristas autônomos de caminhão e empresas que precisam transportar cargas.
Para o executivo, o desempenho vai além de uma safra positiva. Em 2024/25, a produção de grãos do Brasil bateu recorde, com 353 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
“Mais da metade desse crescimento veio da nossa modelagem comercial e operacional para atender melhor o agro”, diz.
O avanço da logística agrícola também se reflete na estrutura da empresa. Em 2025, a Motz alcançou 118 mil motoristas cadastrados, muitos deles atuando diretamente em rotas do agro, além de registrar 777 mil viagens ao longo do ano.
A digitalização da jornada — que já representa cerca de 70% das operações — tem permitido maior eficiência no escoamento da produção, especialmente em períodos de safra, quando a demanda por transporte dispara.
A evolução logística agrícola acontece em meio a mudanças regulatórias que já impactam o setor. A implementação do frete mínimo levou a uma reconfiguração dos preços no mercado — em março deste ano a Motz foi citada pelo Ministério dos Transportes como uma das empresas com alto volume de multas por descumprimento da tabela de frete mínimo.
A empresa afirma estar totalmente adaptada à regra, com sistemas que impedem operações abaixo da tabela.[/grifar] Segundo Pimenta, o movimento foi generalizado. “Todo mundo se posicionou para o frete mínimo para evitar sanções”, diz .
No agro, o impacto foi menor em rotas já aquecidas pela safra, onde os preços costumam rodar acima do piso. Ainda assim, houve efeitos relevantes, principalmente em insumos como fertilizantes.
O principal reflexo, segundo o executivo, é o aumento de custos. “O frete acabou inflacionando e isso tende a ser repassado para o preço dos produtos”, afirma .
Safra de grãos
Para 2026, a Motz aposta em uma nova rodada de crescimento ancorada no agro. A expectativa é de alta superior a 15% no volume transportado, com avanço em novas regiões e culturas, incluindo açúcar e biocombustíveis.
O agronegócio deve continuar representando a maior parte da expansão da empresa, com soja, milho e fertilizantes concentrando a maior fatia da operação.
Mesmo com boas perspectivas de safra, o cenário exige atenção. “O setor logístico deve seguir desafiador em 2026, com fatores como volatilidade cambial, eleições e mudanças no frete mínimo”, afirma Pimenta.
Ainda assim, o executivo vê um caminho claro para o setor. “Plataformas digitais, inteligência de dados e rastreabilidade vão ganhar cada vez mais espaço no agro”, diz .
Sem planos imediatos de aquisições, a empresa segue apostando em crescimento orgânico e no fortalecimento da sua atuação na cadeia do agronegócio — um mercado que segue como o principal vetor de expansão.
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