Mounjaro em pílula recebe sinal verde nos EUA; saiba o preço e quando pode chegar ao Brasil
A disputa entre farmacêuticas por tratamentos contra obesidade entra em uma nova fase com a chegada dos comprimidos baseados em GLP-1, sigla em inglês para glucagon-like peptide-1, hormônio que regula glicose e apetite contido no Ozempic e Mounjaro. Depois de dominar o mercado de injeções, empresas como Eli Lilly e Novo Nordisk agora competem pela liderança na versão oral desses medicamentos, ampliando o acesso e simplificando o uso.
O avanço mais recente veio com o Foundayo, comprimido da Eli Lilly aprovado pela FDA, agência reguladora dos EUA, para controle de peso. O medicamento utiliza o princípio ativo orforglipron, uma molécula pequena, diferente dos peptídeos tradicionais, licenciada da japonesa Chugai em 2018 por US$ 50 milhões. Essa escolha tecnológica é o principal fator que permite transformar o efeito do GLP-1 em uma pílula estável e de uso simples.
Diferentemente de concorrentes como o Wegovy oral, da Novo Nordisk, o comprimido da Lilly pode ser ingerido sem restrições alimentares. Essa vantagem está ligada à própria natureza química do orforglipron, que não sofre degradação tão intensa no trato digestivo — um dos maiores obstáculos históricos para esse tipo de medicamento.
Quando o 'Mounjaro em pílula' deve chegar ao Brasil
Ainda não há previsão oficial para o lançamento da versão oral do Mounjaro no Brasil, apesar da aprovação nos Estados Unidos em abril de 2026. A própria Eli Lilly indica que a expansão internacional mais ampla deve ocorrer apenas a partir de 2027, o que coloca o país fora da primeira onda de lançamentos.
Seguindo o histórico da indústria farmacêutica, a chegada ao Brasil costuma ocorrer entre 12 e 24 meses após a aprovação pelo FDA. Nesse cenário, a janela mais provável ficaria entre abril de 2027 e abril de 2028, dependendo de fatores como estratégia comercial, aprovação da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e definição de preços.
O histórico recente reforça esse intervalo. A versão injetável do Mounjaro foi lançada no Brasil em junho de 2025, meses após sua consolidação em outros mercados, com preço máximo ao consumidor de R$ 3.627,82.
Caso a Lilly priorize mercados maiores ou enfrente barreiras regulatórias e de preço, o lançamento pode escorregar para 2028. Ainda assim, o avanço das versões orais é visto como estratégico pela companhia, o que tende a acelerar sua entrada em mercados relevantes como o brasileiro.
O desafio científico por trás da pílula
Transformar análogos de GLP-1 — originalmente proteínas sensíveis — em comprimidos foi, por anos, um desafio central da indústria farmacêutica. Isso porque essas moléculas são facilmente degradadas no estômago e têm baixa absorção intestinal.
A Novo Nordisk contornou esse problema com a semaglutida, combinada a um agente de absorção que protege parcialmente o fármaco. Ainda assim, o uso exige condições específicas, como jejum. Já a Lilly adotou outro caminho: desenvolveu um composto sintético menor, que imita a ação do GLP-1 sem ser um peptídeo.
Essa diferença técnica permite maior estabilidade, menos restrições de uso e potencial de produção em larga escala, fatores que podem influenciar diretamente o preço e a adesão dos pacientes.
Mercado bilionário e estratégia das farmacêuticas
A mudança para comprimidos ocorre após a consolidação das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Mounjaro e Zepbound, da Lilly, e Wegovy, da Novo. Esses medicamentos movimentaram cerca de US$ 26 bilhões em 2025, impulsionados pela alta eficácia — com perdas de peso acima de 20%.
Nas versões orais, os resultados ainda são mais modestos. O Foundayo apresentou redução média de 12,4% do peso corporal em 72 semanas, enquanto o Wegovy em comprimido chegou a 16,6% em 64 semanas. Ainda assim, executivos da Lilly apostam que a conveniência será decisiva.
A estratégia também passa pelo preço. Ambas as empresas fixaram valores semelhantes nos EUA, a partir de US$ 149 mensais, podendo cair para US$ 25 com seguro. A redução frente às injeções, que chegaram a custar US$ 1.350 por mês, amplia o mercado potencial.
Projeções indicam que o Foundayo pode gerar até US$ 21 bilhões em receita até 2030, segundo a consultoria Evaluate. Analistas da FactSet estimam US$ 14,8 bilhões no mesmo período. A expectativa reforça a leitura de que a disputa entre Lilly e Novo Nordisk deve se intensificar — agora não mais nas agulhas, mas nos comprimidos.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: