Na era da IA, fazer horas extras não vai salvar seu emprego, afirmam especialistas

Por Bianca Bezerra Pinto 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Na era da IA, fazer horas extras não vai salvar seu emprego, afirmam especialistas

"Segurança no emprego não é mais algo garantido." A frase é de Kalifa Oliver, autora e estrategista de experiência do colaborador, e resume um consenso crescente entre especialistas em carreira: na era da inteligência artificial, a dedicação irrestrita ao trabalho deixou de ser um diferencial — e os dados confirmam.

Por que as horas extras perderam o valor

O relatório Global Talent Trends 2026 da consultoria Mercer ouviu mais de 800 executivos de alto escalão ao redor do mundo. O resultado é direto: 99% deles esperam reduzir seus quadros em até 20% nos próximos dois anos, impulsionados pela adoção crescente da inteligência artificial nos fluxos de trabalho.

O movimento já chegou às demissões em massa. A Meta dispensou cerca de 8.000 funcionários em maio deste ano e o próprio Mark Zuckerberg reconheceu, em comunicado interno, que "o sucesso não é algo dado" no espaço da inteligência artificial, sinalizando que nem as maiores empresas do setor estão imunes à pressão por cortes.

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Estratégia vale mais que esforço

O problema não é só o risco de demissão. O excesso de trabalho compromete quem permanece. Funcionários sobrecarregados ficam exaustos demais para identificar erros, inovar ou contribuir com eficácia, o que prejudica tanto o profissional quanto os resultados da empresa.

Para especialistas, a resposta não está em trabalhar mais, mas em trabalhar melhor. Isso significa revisar prioridades, identificar onde o tempo gera mais valor e investir no desenvolvimento de habilidades que a automação ainda não consegue replicar.

O Brasil também sente o impacto

O fenômeno não se limita aos grandes pólos tecnológicos globais. No Brasil, a inteligência artificial deixou de ser promessa e já começa a mudar o mercado de trabalho de forma concreta com relatórios apontando a automação de tarefas como elemento central nas decisões de corte de pessoal.

A mudança também redefine o perfil de quem é contratado. A demanda por profissionais generalistas recua, enquanto cresce a busca por especialistas capazes de desenvolver, treinar e supervisionar sistemas inteligentes.

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