‘Não esperamos normas para fazer o que é certo’, diz CEO do Grupo L'Oréal no Brasil sobre NR-1
Enquanto muitas empresas brasileiras correm para adaptar processos internos às novas exigências da NR-1, que entrou em vigor nesta terça-feira, 26, o Grupo L'Oréal afirma que a nova norma apenas reforça um caminho que já vinha sendo seguido pela companhia há anos.
“Não esperamos ter normas ou leis para fazer o que é certo. Cuidar dos funcionários é algo que todas as companhias deveriam fazer”, afirma Marcelo Zimet, CEO da L'Oréal no Brasil, em entrevista ao podcast “De Frente com CEO”, da EXAME.
A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o olhar das empresas para riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse, burnout, assédio e sobrecarga emocional, passa a exigir que organizações incluam saúde mental dentro da gestão oficial de riscos ocupacionais.
Na avaliação do executivo, a mudança regulatória deve impactar menos empresas que já incorporaram o bem-estar como estratégia de gestão e mais aquelas que ainda tratam saúde mental apenas como benefício periférico.
“A gente não espera normas para criar um ambiente mais inclusivo, respeitoso e saudável. Times engajados e motivados se transformam em performance”, afirma Zimet, que é o primeiro brasileiro a liderar a multinacional no Brasil.
Reunião com horário para começar e terminar e flexibilidade: as mundaças do Grupo L'Oréal
O Grupo L'Oréal, segundo Zimet, mantém programas globais de saúde e bem-estar há mais de uma década e já havia implementado políticas voltadas à segurança psicológica antes mesmo da discussão da nova NR-1 ganhar força no mercado.
“Existem vários programas que a gente chama de simplicidade dentro da companhia, para realmente fazer a empresa ser mais simples, mais inclusiva e mais respeitosa”, diz.
Entre as medidas adotadas pela empresa estão regras para limitar reuniões, ampliar períodos de concentração e incentivar equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
“A gente tem uma relação de adultos. Eu respeito você, te dou flexibilidade, mas espero responsabilidade também”, afirma o CEO.
Veja também: NR-1 entra em vigor e exige que empresas olhem para saúde mental. Entenda o que muda
Diversidade e inclusão como parte da gestão
A discussão sobre saúde mental também passa pela construção de ambientes seguros e diversos, segundo Zimet.
“Se você está num país diverso, você tem que ter um time diverso. Para mim, diversidade e inclusão é uma questão de respeito”, afirma.
Hoje, segundo a companhia, 55% da liderança da operação brasileira é composta por mulheres, mais de 25% das lideranças são negras e cerca de 45% dos funcionários se autodeclaram negros ou pardos.
O executivo afirma ainda que líderes que não compreendem a importância desse ambiente mais inclusivo têm dificuldade de prosperar nas organizações atuais.
“Um líder que não entende isso não pode ser líder”, diz.
Saúde mental também impacta os negócios
O cuidado com os funcionários deixou de ser apenas uma agenda de RH e passou a influenciar diretamente inovação, produtividade e retenção de talentos, afirma Zimet.
“Hoje, o maior orgulho de muitos funcionários não são só as marcas, mas o propósito da companhia”, diz o CEO.
Ele afirma que empresas que conseguirem criar ambientes mais humanos terão vantagem competitiva nos próximos anos, especialmente em um cenário de transformação acelerada do trabalho, avanço da inteligência artificial e mudanças culturais dentro das organizações.
“A gente se autodenomina uma startup em grande escala, ou, ‘bio tech’. Se você não tiver flexibilidade, curiosidade e agilidade para se adaptar às mudanças, você está na empresa errada”, afirma.
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Sobre o Grupo L’Oreal no Brasil – e no mundo
Em 1909, em Paris, o químico francês Eugène Schueller decidiu criar uma fórmula de tintura capilar mais segura e inovadora para os padrões da época. O produto fez sucesso entre cabeleireiros franceses e deu origem à L'Oréal. Hoje é uma das maiores companhias de beleza do mundo, com atuação em mais de 150 países e um portfólio global de cerca de 40 marcas.
No Brasil há mais de 60 anos, a companhia opera atualmente com 23 marcas distribuídas entre as divisões de consumo, luxo, beleza dermatológica e produtos profissionais.
Segundo Zimet, o Brasil está entre as operações mais estratégicas da L'Oréal no mundo, acompanhando o peso do país no mercado global de beleza, onde figura entre os quatro maiores mercados do setor, disputando historicamente as primeiras posições ao lado de Estados Unidos, China e Japão.
Em 2025, o grupo registrou faturamento global de cerca de R$ 300 bilhões e manteve crescimento acima das expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026. Segundo Zimet, a operação brasileira cresce há sete anos consecutivos e segue como uma das principais alavancas de expansão global da companhia.
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