Nasa tenta 'salvar' telescópio que está caindo em direção à Terra
Após mais de 20 anos em operação, um dos observatórios espaciais mais importantes da Nasa enfrenta uma ameaça inesperada: a reentrada prematura na atmosfera terrestre. Para evitar a perda do Observatório Neil Gehrels Swift, a agência espacial apoia uma missão inédita que pretende capturar o equipamento em órbita usando uma nave robótica e elevá-lo novamente a uma altitude segura.
Os detalhes da operação foram divulgados na última quarta-feira, 17, pela revista Science. Caso seja bem-sucedida, a missão poderá prolongar por até cinco anos a vida útil do Swift, um telescópio espacial fundamental para o estudo de explosões de raios gama, buracos negros, estrelas de nêutrons e outros fenômenos extremos do Universo.
O que aconteceu com o telescópio Swift?
Lançado em 2004, o Observatório Neil Gehrels Swift foi projetado para detectar explosões de raios gama, fenômenos cósmicos extremamente violentos que podem liberar, em poucos segundos, mais energia do que o Sol produzirá durante toda a sua existência.
Desde então, o equipamento ajudou astrônomos a investigar buracos negros, estrelas de nêutrons, supernovas e outros eventos extremos do Universo. Ao longo de sua trajetória, o observatório registrou mais de 2 mil explosões de raios gama e participou de diversas descobertas importantes para a astrofísica.
Quando iniciou suas operações, o Swift orbitava a cerca de 600 quilômetros da superfície terrestre. Atualmente, está a aproximadamente 370 quilômetros de altitude.
Por que o observatório está perdendo altitude?
A principal causa da queda acelerada está relacionada ao aumento da atividade solar. Durante períodos de maior intensidade do Sol, as camadas mais externas da atmosfera terrestre se expandem devido ao aquecimento.
Embora extremamente rarefeita, essa atmosfera ampliada gera mais resistência sobre satélites e telescópios que operam em órbitas baixas. Como o Swift não possui motores próprios para corrigir sua trajetória, a perda gradual de altitude acabou se tornando um problema cada vez mais sério.
Segundo os responsáveis pela missão, o ciclo solar atual foi mais intenso do que as projeções iniciais, acelerando significativamente a degradação da órbita do observatório.
Como será a missão de resgate espacial?
Para tentar salvar o telescópio, a Nasa selecionou a empresa Katalyst Space Technologies para desenvolver uma espaçonave robótica chamada LINK.
Se a operação for bem-sucedida, braços robóticos serão utilizados para estabelecer uma conexão com o telescópio. A partir daí, a espaçonave deverá impulsionar gradualmente o equipamento para uma órbita mais elevada ao longo de várias semanas.
O objetivo é devolver o observatório a uma altitude semelhante à de sua missão original, garantindo mais anos de operação científica.
Capturar um telescópio em órbita será um desafio
A missão envolve riscos consideráveis. O Swift nunca foi projetado para receber manutenção ou acoplamento de outra espaçonave. Isso significa que os engenheiros precisam desenvolver procedimentos capazes de realizar a aproximação sem comprometer os instrumentos científicos do observatório.
Além disso, a equipe precisa lidar com possíveis efeitos do envelhecimento estrutural do equipamento e com a continuidade da atividade solar, que pode acelerar ainda mais a perda de altitude.
Por que a Nasa quer manter o Swift em operação?
Mesmo após duas décadas de funcionamento, o Swift continua sendo uma ferramenta estratégica para a astronomia moderna. Sua principal característica é a capacidade de identificar rapidamente fenômenos transitórios e direcionar observações para eventos cósmicos que surgem de forma repentina. Essa agilidade permite que pesquisadores acompanhem explosões de raios gama, colisões de estrelas e outros acontecimentos raros quase em tempo real.
Segundo os cientistas envolvidos na missão, poucos observatórios espaciais conseguem responder com a mesma rapidez a esse tipo de evento.
Caso o resgate seja bem-sucedido, o telescópio poderá continuar contribuindo para novas descobertas científicas por pelo menos mais cinco anos, além de demonstrar a viabilidade de futuras missões de manutenção de satélites em órbita
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