Naufrágio no Mediterrâneo deixa 70 desaparecidos em nova tragédia migratória

Por Da redação, com agências 5 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Naufrágio no Mediterrâneo deixa 70 desaparecidos em nova tragédia migratória

Um novo naufrágio no Mar Mediterrâneo deixou pelo menos dois mortos e 71 desaparecidos neste domingo, 5. A embarcação de madeira, que transportava 105 pessoas — incluindo mulheres e crianças —, havia partido da Líbia no sábado com destino à Europa.

Apenas 32 sobreviventes foram resgatados por navios mercantes e levados para a ilha italiana de Lampedusa, que volta a ser o cenário de uma crise humanitária aguda em pleno feriado de Páscoa.

Imagens aéreas divulgadas pela ONG Sea-Watch International mostram o momento desesperador em que os tripulantes tentavam se manter flutuando agarrados ao casco do barco virado. O incidente ocorre apenas quatro dias após 19 corpos de migrantes mortos por hipotermia terem sido levados à mesma ilha. Entidades de direitos humanos classificam os recentes episódios como um "padrão de violência" nas fronteiras marítimas da União Europeia.

We are horrified. Over Easter weekend, about 71 people likely drowned in the Mediterranean. Yesterday, our aircraft Seabird 2 spotted an overturned wooden boat: ~15 people clinging desperately to the hull, others in the water, and some lifeless bodies.

📽️ Fabian Melber https://t.co/dl4dtjNFoL pic.twitter.com/yDOBFxyUPd

— Sea-Watch International (@seawatch_intl) April 5, 2026

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o fluxo migratório em 2026 tem sido particularmente letal: já são 683 mortos ou desaparecidos na travessia mediterrânea nos primeiros meses do ano. Para a ONG Mediterranea Saving Humans, o episódio não é um acidente isolado, mas uma consequência direta da recusa governamental em abrir rotas legais e seguras para refugiados que fogem da instabilidade no norte da África.

Pressão sobre Bruxelas

A tragédia deste domingo coloca nova pressão sobre a cúpula da União Europeia em Bruxelas. Enquanto líderes europeus discutem o endurecimento do pacto de migração e asilo, o número de vítimas nas chamadas "rotas da morte" continua a subir. Analistas apontam que a dependência de navios mercantes para resgates de emergência — em vez de uma frota estatal dedicada de busca e salvamento — aumenta o tempo de resposta e, consequentemente, a taxa de mortalidade nos naufrágios.

A ilha de Lampedusa opera atualmente acima de sua capacidade de acolhimento. A chegada constante de sobreviventes em estado de choque e hipotermia sobrecarrega o sistema de saúde local e as infraestruturas de triagem. Com o mar mais calmo durante a primavera, a previsão é que o número de tentativas de travessia aumente nas próximas semanas, exigindo uma reestruturação logística e diplomática imediata entre a Itália e os países de origem e trânsito, como a Líbia e a Tunísia.

(Com Agência O Globo)

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