Nem gripe nem covid: estas vacinas farão a empresa deste médico alcançar os R$ 70 milhões

Por Guilherme Gonçalves 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nem gripe nem covid: estas vacinas farão a empresa deste médico alcançar os R$ 70 milhões

Tomar uma vacina, fazer um exame ou realizar um procedimento simples de saúde envolve deslocamento, espera e horas fora da rotina. Diante deste cenário, o médico e nefrologista Felipe Paste criou a healthtech Nina Saúde, onde ele leva esses serviços para a casa do clientes.

"Por que, em um mundo em que comida, transporte e serviços chegam à porta de casa, a saúde ainda exigia que o paciente fosse até ela?", diz o médico.

Fundada em 2021 no Espírito Santo, a Nina Saúde encerrou o ano passado com receita de R$ 40 milhões, atua hoje em mais de 40 cidades brasileiras e projeta alcançar os R$ 70 milhões em 2026.

Criada durante a pandemia, a Nina Saúde começou com foco em vacinação domiciliar. Na época, a vacina mais procurada, claro, era a que combate o coronavírus. Contudo, hoje os imunizantes mais aplicados pela empresa são contra a meningite e pneumonia.

Depois, a Nina Saúde ampliou o escopo para incluir testes, infusão de medicamentos e outros serviços preventivos. O crescimento veio rapidamente: o faturamento saiu de R$ 4 milhões em 2022 para R$ 15 milhões em 2023, passou para R$ 21 milhões em 2024 e chegou a R$ 40 milhões em 2025.

Paste conta que a ideia surgiu enquanto observava mudanças em outros setores.

“Quando a gente olha para empresas como Uber, Amazon ou Nubank, elas pegaram serviços que já existiam e usaram tecnologia para melhorar a experiência do cliente. A nossa tese era fazer algo parecido em saúde”, diz.

Quando o paciente deixa de ir até a clínica

A Nina Saúde opera exclusivamente no formato domiciliar. Não existem clínicas físicas para receber pacientes. O agendamento pode ser feito por aplicativo, site, WhatsApp ou telefone. Segundo Paste, a proposta surgiu também a partir de uma constatação pessoal.

“A experiência com saúde muitas vezes não é positiva. Eu mesmo já deixei exames para depois porque envolve deslocamento e perda de tempo. A gente acredita que esse modelo precisa ser atualizado”, afirma.

Hoje, a empresa opera em um mercado disputado por nomes como a Beep Saúde e clínicas tradicionais e estabeleceu uma meta ambiciosa: tornar-se a maior empresa de saúde domiciliar do país na próxima década.

A disputa acontece em um segmento que ganhou força nos últimos anos, impulsionado pela busca por conveniência e pela digitalização acelerada dos serviços de saúde após a pandemia. Empresas especializadas passaram a ampliar ofertas que vão além da vacinação, incluindo exames laboratoriais, infusões e outros atendimentos feitos na casa do paciente.

Como crescer sem perder qualidade

Escalar uma operação de saúde, porém, traz desafios diferentes daqueles encontrados em startups de tecnologia tradicionais.

Hoje a Nina possui mais de 100 funcionários, com equipes próprias de técnicos de enfermagem e enfermeiros responsáveis pelos atendimentos. A empresa afirma não terceirizar a operação de saúde.

“Independentemente do serviço, a pessoa está em um momento de vulnerabilidade. Pode ser uma vacina em um bebê de dois meses ou outro tipo de atendimento. A gente acredita muito em treinamento e equipe própria”, diz o fundador.

A preocupação faz sentido dentro do momento vivido pela empresa. Em setembro de 2022, a Nina recebeu investimento de fundos para acelerar sua expansão para outras cidades. Desde então, o crescimento vem ocorrendo de forma orgânica.

Um indicador acompanhado de perto pela companhia é o NPS, métrica que mede a satisfação dos clientes. Segundo a empresa, o índice atual é de 95.

“O grande desafio do crescimento é conseguir escalar e manter qualidade. Normalmente, quando a empresa cresce, existe risco de perda na experiência. O papel da tecnologia é justamente ajudar a aumentar escala sem comprometer isso”, afirma Paste.

Quais são os próximos passos

A Nina possui atualmente nove unidades — que não são clínicas, mas sim pontos de onde saem as equipes — e pretende chegar a 35 até 2030. A expansão pode ocorrer tanto com recursos próprios quanto com novas rodadas de investimento.

A empresa também pretende ampliar seu portfólio, que hoje vai além da vacinação e inclui outros serviços de saúde preventiva.

Ao longo dos últimos anos, a startup foi selecionada para o programa Scale-Up, da Endeavor, iniciativa voltada a empresas de alto crescimento. Segundo a empresa, o programa ajudou a estruturar governança e planejamento para expansão.

No centro da estratégia, porém, permanece a mesma aposta que deu origem ao negócio: transformar a saúde em uma experiência mais próxima do consumidor.

“Em vez das pessoas irem até os serviços de saúde, a ideia é fazer a saúde chegar até elas”, afirma Paste.

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