Nem Netflix, nem Pluto: a empresa de Curitiba que mistura os dois — e quer ganhar o mundo
A curitibana Watch decidiu atravessar fronteiras. A empresa abriu uma base em Miami com a meta de crescer 46% em receita em 2026, apoiada em uma tecnologia própria que já recebeu mais de R$ 50 milhões em investimento ao longo de oito anos.
Diferentemente da Netflix, a Watch não produz conteúdo nem disputa diretamente o consumidor final. Atua nos bastidores do streaming, oferecendo infraestrutura para que outras empresas lancem suas próprias plataformas.
Para entender onde ela se encaixa, vale olhar para serviços como Pluto TV ou Samsung TV. Elas reúnem canais gratuitos sustentados por publicidade, os chamados fast channels, canais lineares distribuídos pela internet.
A Watch pode operar nesse mesmo ecossistema, mas com uma diferença central: em vez de ser a plataforma onde o conteúdo é exibido, fornece a tecnologia que permite que esses canais existam, sejam distribuídos e monetizados. Em suma, a empresa atua como uma camada invisível que conecta conteúdo, distribuição e receita dentro do streaming.
Entre os clientes estão operadoras como a Claro e afiliadas de TV, além de projetos sob medida para igrejas e associações esportivas, como uma liga de futebol em Portugal. A tecnologia também já é usada por canais e emissoras para transmissão via internet.
É essa posição — menos visível, mas mais escalável — que sustenta a aposta internacional da companhia. Enquanto plataformas como a Netflix competem por atenção, a Watch quer ser a tecnologia que permite que múltiplos serviços existam e operem com eficiência.
Como tudo começou?
Fundada em 2017, a Watch nasceu a partir de uma leitura antecipada da migração da TV tradicional para a TV sobre IP, transmissão de conteúdo pela internet. O modelo foi estruturado para atender provedores regionais, que buscavam competir com grandes operadoras oferecendo também serviços de vídeo.
Hoje, a empresa reúne mais de 2.500 provedores parceiros e milhões de usuários no Brasil. Para sustentar a operação, a companhia precisou desenvolver internamente boa parte da tecnologia — e acabou criando um ativo que vai além da distribuição de conteúdo.
“Percebemos que tínhamos construído uma tecnologia de nível global”, afirma Maurício Almeida, presidente da empresa.
Dentro da Watch Labs, braço de inovação da empresa, nasceu uma estrutura proprietária que cobre quase toda a cadeia do streaming. Um dos principais ativos é o Meeva, tecnologia responsável por transcoding (conversão de formatos de vídeo), além de packaging e distribuição.
Hoje, o sistema já processa mais de 140 canais e suporta transmissões com mais de 2 milhões de usuários simultâneos. Praticamente tudo é feito internamente, mantendo fora apenas o player (interface de reprodução) e o DRM (sistema de proteção contra pirataria).
Por que Miami?
A escolha de Miami segue uma lógica menos aspiracional e mais operacional. A cidade concentra operações latino-americanas de grandes estúdios, eventos da indústria e produção audiovisual voltada ao mercado hispânico.
Além disso, a presença física facilita negociações e encurta ciclos comerciais em um mercado ainda dependente de relacionamento direto. A empresa já tinha iniciado sua expansão por Lisboa, em 2024, e agora amplia o foco para as Américas.
A operação nos Estados Unidos ainda é recente, iniciada em janeiro de 2026, mas já vem acompanhada de metas ambiciosas. A empresa projeta que, em até três anos, metade da receita venha do exterior.
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