Nestlé diz que Anvisa errou ao recolher fórmula de Alfamino 400g

Por Estela Marconi 13 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Nestlé diz que Anvisa errou ao recolher fórmula de Alfamino 400g

A Nestlé afirmou que a Anvisa errou ao recolher lotes da fórmula infantil Alfamino 400g e atribuiu a decisão a um equívoco na conversão de unidades de medida na documentação apresentada à agência reguladora.

A empresa afirma que os níveis de selênio e iodo estão dentro dos parâmetros legais e que o produto é seguro para consumo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou o recolhimento e a suspensão da comercialização da fórmula infantil Alfamino 400g após identificar, segundo a agência, níveis de selênio e iodo acima dos limites permitidos pela legislação sanitária. A medida foi publicada no Diário Oficial da União e inclui a suspensão de comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso dos lotes envolvidos.

De acordo com a agência, a presença de micronutrientes em concentração superior ao permitido configura infração sanitária, especialmente em fórmulas destinadas a lactentes e crianças com necessidades dietoterápicas específicas, como restrição de lactose e alimentação à base de aminoácidos livres.

Em nota, a Nestlé informou que foi “surpreendida” pela publicação da resolução e que está em contato com a Anvisa para prestar esclarecimentos. Segundo a empresa, houve um erro na declaração da unidade de medida nos laudos apresentados.

“Ocorre que houve um erro de conversão na declaração da unidade de medida (mcg/kg em vez de mcg/100g) — onde consta Selênio 31,1 microgramas por 100 kcal e Iodo 175,7 microgramas por 100 kcal, a informação correta é Selênio 3,11 microgramas por 100 kcal e Iodo 17,57 microgramas por 100 kcal, parâmetros esses que estão em conformidade com a legislação”, afirmou a companhia.

A EXAME solicitou um posicionamento para a agência de vigilância sanitária. O espaço segue aberto.

Recall global da Nestlé

No início de janeiro, a Nestlé iniciou um recall global de fórmulas infantis e de seguimento após a detecção de cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus. A medida envolve lotes específicos comercializados em diversos países, incluindo o Brasil.

Segundo a empresa, a substância foi identificada em insumos utilizados em uma fábrica localizada na Holanda, o que levou à decisão de recolher preventivamente os produtos em diferentes mercados. Em comunicado à BBC, a companhia confirmou que o recall tem alcance mundial e envolve produtos vendidos sob nomes comerciais distintos, conforme o país.

De acordo com a emissora britânica, os produtos atingidos foram comercializados em países como França, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Itália e Suécia. A Nestlé informou que a medida se restringe aos lotes identificados e que não há relatos confirmados de doenças associadas aos produtos recolhidos, mas que optou pelo recall por precaução.

A empresa afirmou ainda que consumidores terão direito a reembolso e que orientações sobre troca ou devolução estão sendo fornecidas pelos canais de atendimento locais.

No Brasil, a Anvisa destacou que a decisão tem caráter preventivo e envolve exclusivamente os lotes listados em resolução publicada nesta quarta-feira. A agência orientou pais e responsáveis a verificarem o número do lote impresso na embalagem e a não utilizarem os produtos incluídos no recall. Em caso de sintomas como vômitos persistentes, diarreia ou letargia, a recomendação é buscar atendimento médico.

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