No 12º dia da guerra, Irã alerta o mundo para se preparar para petróleo a US$ 200 o barril
O governo do Irã afirmou que o mercado internacional deve se preparar para uma forte alta nos preços da energia em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Autoridades iranianas declararam que o petróleo pode atingir US$ 200 por barril, enquanto ataques no Golfo elevaram a tensão nos mercados globais de energia.
"Preparem-se para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram", disse Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do comando militar do Irã, em declarações dirigidas ao governo dos Estados Unidos.
Zolfaqari também afirmou que, após ataques contra agências bancárias em Teerã, o Irã pode retaliar instituições financeiras que mantenham relações comerciais com os Estados Unidos ou Israel.
O cenário ocorre após o início da guerra desencadeada por bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel há quase duas semanas. O confronto já deixou cerca de 2.000 mortos, a maioria no Irã e no Líbano, e ampliou os impactos para rotas comerciais e transporte marítimo, informou a agência Reuters.
Os combates atingiram também o Líbano e ampliaram os riscos para a circulação de petróleo no Golfo. O aumento das tensões provocou volatilidade no mercado internacional de energia e nas bolsas de valores.
Na quarta-feira, novos confrontos foram registrados. Relatos indicam que três embarcações foram atingidas em águas do Golfo, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã informou que abriu fogo contra navios que não atenderam às suas ordens.
Mesmo diante de ataques aéreos classificados pelo Pentágono como os mais intensos desde o início da ofensiva, forças iranianas lançaram mísseis e drones contra Israel e outros alvos no Oriente Médio.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que a operação militar continuará sem prazo definido até o cumprimento dos objetivos estabelecidos por Israel. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que a campanha militar pode ter duração limitada.
Em entrevista por telefone ao site de notícias Axios, Trump declarou que "praticamente não havia mais nada" para atingir no território iraniano. "Quando eu quiser que termine, terminará", disse ele.
A emissora americana ABC News informou que o FBI alertou para a possibilidade de drones iranianos alcançarem a costa oeste dos Estados Unidos. Mas, Trump afirmou que não considera provável um ataque em território americano.
O presidente também disse a jornalistas que forças americanas destruíram 28 embarcações iranianas usadas para lançar minas marítimas e afirmou que os preços do petróleo devem recuar.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou alerta sobre possíveis ataques planejados por forças iranianas ou milícias aliadas contra infraestrutura de energia ligada a empresas americanas no Iraque. Autoridades americanas também relataram ataques contra hotéis frequentados por cidadãos dos Estados Unidos no país, inclusive na região do Curdistão iraquiano.
Ataques de mísseis em Teerã, capital do Irã, nesta terça-feira, 10 de março. (FADEL itani / AFP via Getty Images) (Ebrahim Zolfaqari/Getty Images)
Autoridades de Washington e de Israel afirmaram que o objetivo da operação militar é limitar a capacidade do Irã de projetar força militar fora de suas fronteiras e desmantelar o programa nuclear iraniano.
Nos dias anteriores, os mercados financeiros haviam reagido positivamente diante da expectativa de uma resolução rápida para o conflito. A retomada das hostilidades alterou novamente o comportamento dos investidores.
Portos e cidades em países do Golfo também registraram impactos da guerra. Ataques com drones e mísseis iranianos atingiram alvos em Israel e elevaram a pressão diplomática de países europeus e da Turquia por uma interrupção dos combates.
Um oficial militar israelense afirmou à Reuters que as forças armadas mantêm uma lista extensa de alvos no Irã, incluindo instalações associadas a mísseis balísticos e estruturas ligadas ao programa nuclear.
Risco ao fornecimento global de Petróleo
O conflito também provocou bloqueios no Estreito de Ormuz, corredor marítimo que concentra cerca de um quinto do comércio global de petróleo.
Autoridades indicam que não há garantia de navegação segura na região. Fontes afirmaram à Reuters que o Irã instalou aproximadamente uma dúzia de minas marítimas no canal.
Trump declarou que os navios "deveriam" continuar transitando pelo estreito. No entanto, a presença de minas amplia os riscos para a circulação de embarcações.
Militares americanos orientaram o Irã a evitar áreas próximas a portos com infraestrutura naval dos Estados Unidos. Em resposta, autoridades militares iranianas afirmaram que centros econômicos e comerciais da região podem se tornar "alvos legítimos" caso portos iranianos sejam atacados.
O aumento do preço dos combustíveis em diversos países gerou pressão política sobre os Estados Unidos. O tema também ganhou relevância no cenário eleitoral, com pesquisas indicando desvantagem para o Partido Republicano antes das eleições legislativas previstas para novembro.
A proposta representa a maior intervenção desse tipo já sugerida pela instituição e recebeu apoio do governo americano.
O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, afirmou em entrevista à CNBC que empresas petrolíferas americanas devem anunciar aumento na produção em resposta aos níveis de preço observados no mercado.
Especialistas indicam, porém, que a velocidade de liberação das reservas varia entre os países e que o volume proposto representaria apenas parte do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz.
Autoridades iranianas afirmaram que pretendem prolongar o impacto econômico do conflito.
No mar, um navio graneleiro com bandeira da Tailândia pegou fogo após ser atingido. A tripulação abandonou a embarcação e três pessoas permanecem desaparecidas, possivelmente presas na casa de máquinas.
Outros dois navios também registraram danos: um porta-contêineres com bandeira do Japão e um graneleiro registrado nas Ilhas Marshall.
Um porta-aviões identificado como K também teria sido atingido por projéteis, elevando para 14 o número de embarcações mercantes afetadas desde o início do conflito.
Impactos internos na política do Irã
No Irã, cerimônias fúnebres reuniram multidões em homenagem a comandantes militares mortos nos bombardeios. Manifestantes carregaram bandeiras e retratos do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e de seu filho Mojtaba.
Uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que Mojtaba Khamenei sofreu ferimentos leves no início da guerra. Segundo o relato, ataques aéreos também mataram membros da família, incluindo seu pai, sua mãe, sua esposa e um filho.
Desde então, Mojtaba não fez aparições públicas nem divulgou mensagens diretas.
Em Teerã, moradores relataram adaptação aos bombardeios noturnos que provocaram deslocamento de centenas de milhares de pessoas para áreas rurais. A cidade também registrou episódios de fumaça causada por incêndios ligados ao setor petrolífero.
"Houve bombardeios ontem à noite, mas não fiquei com medo como antes. A vida continua", disse Farshid, de 52 anos, em entrevista à Reuters.
Apesar de declarações de Trump incentivando protestos internos contra o governo iraniano, manifestações populares capazes de ameaçar o sistema político do país não foram registradas.
O chefe de polícia do Irã, Ahmadreza Radan, afirmou que qualquer pessoa que participe de protestos será tratada "como inimiga, não como manifestante. Todas as nossas forças de segurança estão prontas para atirar".
Um funcionário israelense disse à agência de notícias que autoridades de Israel avaliam que o sistema político iraniano pode resistir ao conflito atual. Outros dois integrantes do governo israelense afirmaram que não há sinais de que Washington esteja próximo de encerrar a operação militar.
Abdullah Mohtadi, líder do Partido Komala do Curdistão Iraniano, integrante de uma coalizão de seis grupos curdos, afirmou à Reuters que organizações oposicionistas mantêm presença no país.
Segundo ele, "dezenas de milhares de jovens estão prontos para pegar em armas" contra o governo de Teerã caso recebam apoio dos Estados Unidos.
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