No 24º dia da guerra, Irã diz ter 'controle total' sobre o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz
O porta-voz militar do Irã afirmou que o país mantém “controle total” sobre o Golfo Pérsico, o Estreito de Ormuz e áreas marítimas próximas a Omã. A declaração foi feita por Ebrahim Zolfaghari e divulgada pela mídia estatal iraniana, em meio a relatos recentes sobre movimentações militares na região.
Segundo o porta-voz, o nível de domínio iraniano torna desnecessária a instalação de minas marítimas para assegurar sua posição estratégica.
"A República Islâmica do Irã tem controle total e poderoso sobre a região do Golfo Pérsico, as águas territoriais de Omã e o Estreito de Ormuz", disse Zolfaghari.
Ele acrescentou que "portanto, devido ao domínio e poder suficientes, não haverá necessidade de colocar minas no Golfo Pérsico, e usaremos todos os meios possíveis para garantir a segurança se necessário".
O representante também declarou que as Forças Armadas iranianas possuem capacidade para garantir a segurança na região e afirmou que países externos "não têm direito de interferir nessa área."
O Estreito de Ormuz é considerado uma rota estratégica para o transporte de energia, por onde circula cerca de um quinto do petróleo bruto comercializado globalmente.
Condições para o fim da guerra
A declaração foi feita em discurso televisionado, no qual o assessor também condicionou o fim das operações a mudanças no cenário internacional.
“Vemos que nossas forças armadas estão realizando operações e atividades com vigor. Nosso projeto de liderança, com a escolha de um novo líder, está firmemente sob sua gestão”, disse.
O conselheiro afirmou que “a guerra estava efetivamente terminada” há mais de uma semana e que “os Estados Unidos estavam prontos para parar e buscar um cessar-fogo”. Segundo ele, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, “insistiu para que continuasse”.
As declarações ocorrem em meio à continuidade das tensões na região, com manifestações de autoridades iranianas sobre os termos para um eventual encerramento do conflito.
Efeitos no Petróleo
O preço do barril do petróleo Brent para entrega em maio recuou 10,92% nesta segunda-feira, 23, no mercado futuro de Londres, em meio a sinais de possível redução das tensões no Oriente Médio. A queda reflete a diminuição das preocupações com interrupções no fornecimento da commodity.
O movimento ocorreu após reação do mercado ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o adiamento por cinco dias de ataques a infraestruturas energéticas do Irã, enquanto mantém negociações.
Apesar da sinalização, autoridades iranianas informaram que não há conversas em andamento, ainda que tenha existido uma proposta de contato.
O mercado segue monitorando os desdobramentos da guerra, com impacto direto sobre o fornecimento global de energia.
A consultoria Oxford Economics indicou que o conflito deve afetar os mercados energéticos ao longo do ano, em cenário de incerteza.
A análise aponta que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado ao tráfego até maio, o que influencia as projeções para oferta global. Com base nesse cenário, a consultoria revisou suas estimativas e projeta o Brent em média de US$ 114 por barril no segundo trimestre.
A previsão considera a retomada parcial do fluxo no estreito a partir de maio, com volume equivalente à metade do nível registrado antes do início do conflito e normalização gradual ao longo do ano.
Uso da força militar em Ormuz
Estreito de Ormuz: tráfego de embarcações e comércio foram afetados desde o início da guerra entre Irã, Israel e EUA. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)
O governo do Bahrein apresentou, nesta segunda-feira, uma proposta de resolução ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que autoriza o uso de "todos os meios necessários" para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz.
O texto prevê autorização para ações militares para garantir a circulação de navios em uma das principais rotas de petróleo do mundo, segundo a agência Reuters.
A proposta conta com apoio de países árabes do Golfo e dos Estados Unidos, embora diplomatas indiquem baixa probabilidade de aprovação. A avaliação considera a possibilidade de veto por parte de Rússia e China, membros permanentes do Conselho.
A iniciativa ocorre em meio à intensificação de tensões envolvendo o Irã, que tem sido apontado como responsável por ações que afetam a navegação na região. O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo, o que amplia o impacto de eventuais interrupções.
*Com informações das agências EFE e AFP.
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