No 2º mês da guerra: Trump diz que o conflito com Irã pode terminar em até três semanas

Por Mateus Omena 1 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
No 2º mês da guerra: Trump diz que o conflito com Irã pode terminar em até três semanas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que a guerra contra o Irã pode terminar em até três semanas, indicando que os objetivos militares teriam sido, em grande parte, alcançados. A fala do republicano ocorreu nesta terça-feira, 31, na Casa Branca.

Segundo o presidente, a saída das tropas americanas ocorrerá quando não houver mais justificativa para a continuidade das operações. Trump afirmou que o principal objetivo era impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares, e que essa meta já teria sido atingida.

"Eu diria que em duas semanas, talvez duas semanas, talvez três", afirmou Trump, em coletiva de imprensa. "Vamos sair porque não há motivo para continuarmos com isso."

O presidente também indicou que um eventual acordo com o Irã não é condição necessária para encerrar o conflito, embora tenha mencionado a possibilidade de negociações com Teerã no período.

As declarações ocorreram em meio a incertezas sobre o cronograma apresentado pela Casa Branca, já que Donald Trump tem histórico de estabelecer prazos semelhantes sem cumpri-los integralmente. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos enviaram reforços militares à região, mantendo a possibilidade de escalada, informou a Bloomberg.

Críticas à OTAN e efeitos nos preços do petróleo

O conflito tem impacto direto no mercado global de energia, com reflexos nos preços do petróleo e da gasolina. O Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do transporte marítimo de petróleo, permanece com operações afetadas.

Trump também criticou aliados internacionais, incluindo membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), por não atuarem na reabertura da rota. Em declarações, sugeriu que países dependentes da região, como a China, deveriam assumir maior responsabilidade na normalização do fluxo.

“O que vai acontecer com o estreito? Não vamos ter nada a ver com isso, porque esses países, como a China, vão subir, vão abastecer seus belos navios, vão embora e vão cuidar de si mesmos”, disse Trump no Salão Oval. “Não há motivo para nos envolvermos.”

O cenário ocorre em um contexto de volatilidade nos mercados e pressão política interna. O presidente enfrenta riscos eleitorais com a proximidade das eleições de meio de mandato, enquanto o impacto econômico do conflito se torna uma preocupação central para a Casa Branca.

O preço do petróleo Brent subiu cerca de 60% em março, desde o início da guerra, e a gasolina nos EUA ultrapassou os US$ 4 por galão pela primeira vez desde 2022.

Promessas diante de fragilidade política

O impacto econômico causado pela guerra que preocupa principalmente a Casa Branca, pois lideranças políticas aliadas de Trump estão cada vez mais apreensivas com o perigo que ela representa para os parlamentares republicanos que concorrem à reeleição, disseram em anonimato membros do governo à Bloomberg.

“O presidente Trump sempre foi claro quanto às interrupções de curto prazo resultantes da Operação Epic Fury. A trajetória econômica de longo prazo dos Estados Unidos, no entanto, permanece sólida, com o governo focado na implementação da agenda econômica comprovada do presidente, que inclui cortes de impostos, desregulamentação e abundância energética”, disse o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, em um comunicado.

E acrescentou: “Assim que os objetivos da Operação Epic Fury forem alcançados e essas interrupções de curto prazo forem superadas, os americanos poderão ter certeza de que a agenda do presidente irá gerar o crescimento histórico em empregos, salários e economia que eles viram durante o primeiro mandato de Trump.”

Os críticos acusaram os EUA de subestimar a escala e a duração da interrupção nos fluxos de energia decorrente do conflito. No entanto, Trump e sua equipe tentaram separar a ameaça histórica que o Irã e seus grupos aliados representam para os EUA e a região do impacto da guerra no transporte marítimo. Como os EUA são menos dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio do que da Ásia, ele também tentou transferir a responsabilidade para outros países que dependem mais da energia da região para ajudar a resolver o problema.

Estreito de Ormuz: região responsável por cerca de 20% do transporte marítimo de petróleo. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)

Na terça-feira, Trump afirmou que os EUA ajudaram a reduzir drasticamente a ameaça militar representada pelo Irã, o que, segundo ele, poderia abrir caminho para a resolução do fechamento do estreito.

“Bem, acho que ele se abrirá automaticamente, mas minha posição é a seguinte: eu aniquilei o país. Eles não têm mais forças, então que os países que usam o estreito o abram”, disse o presidente ao New York Post.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse durante uma coletiva de imprensa na segunda-feira que os EUA estavam “trabalhando para” a reabertura completa do estreito, mas não listou isso como um objetivo militar central dos EUA quando questionada se Trump declararia vitória mesmo que a passagem pelo estreito continuasse lenta.

Karoline Leavitt reiterou que os principais objetivos são destruir a marinha do Irã, destruir os mísseis balísticos do Irã, desmantelar a infraestrutura industrial de defesa do Irã e impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.

O ultimato de Israel sobre o Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que os ataques contra o Irã continuam e que o regime iraniano “cairá cedo ou tarde”, durante pronunciamento nesta terça-feira, 31.

Segundo o premiê, a ofensiva ainda está em andamento e já provocou danos no governo iraniano. Netanyahu declarou que a operação fez o regime “balançar” e indicou continuidade das ações militares.

"A campanha não terminou. Fizemos o regime balançar, ele cairá cedo ou tarde", disse.

O primeiro-ministro também mencionou a possibilidade de novos acordos estratégicos na região, afirmando que poderá divulgar informações sobre alianças com países do Oriente Médio em breve.

Netanyahu disse ainda que o governo iraniano teria investido cerca de US$ 1 trilhão ao longo dos anos em ações contra Israel. O conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã teve início em 28 de fevereiro e segue com ataques diários.

A escalada militar ganhou dimensão regional após a resposta do Irã, que realizou bombardeios contra bases americanas em países da região e restringiu o tráfego no Estreito de Ormuz.

Netanyahu afirmou ter mantido conversas com líderes do Oriente Médio, da Europa e dos Estados Unidos, indicando apoio reservado de parte desses interlocutores.

O premiê também destacou a atuação conjunta com os Estados Unidos e afirmou que a ofensiva alterou a estratégia de segurança israelense. "Agora somos nós (Israel) que atacamos e iniciamos", disse.

O líder israelense também declarou que outros países têm buscado cooperação com Israel na área de defesa, citando a capacidade militar do país como referência internacional.

Teerã ameaça grandes empresas americanas no Oriente Médio

A Guarda Revolucionária do Irã declarou nesta terça-feira, 31, que passará a atingir empresas dos Estados Unidos no Oriente Médio como resposta aos bombardeios conduzidos por forças americanas e por Israel. O comunicado indica uma ampliação dos alvos, incluindo estruturas empresariais ligadas aos EUA na região.

Segundo a mídia estatal iraniana, 18 organizações foram identificadas como potenciais alvos. As ações podem ocorrer a partir das 20h desta quarta-feira, 1º, no horário de Teerã (equivalente a 13h30 em Brasília). A medida sinaliza uma mudança na estratégia, com inclusão de alvos civis ligados a interesses econômicos americanos.

"Vocês ignoraram nossos repetidos alertas e, hoje, vários cidadãos iranianos foram martirizados em ataques terroristas perpetrados por vocês e seus aliados israelenses. Em resposta a essas operações, de agora em diante, as principais instituições atuantes em operações terroristas serão nossos alvos legítimos", afirmou a Guarda Revolucionária, em um comunicado.

No texto, a Guarda Revolucionária iraniana recomendou aos funcionários dessas empresas a deixarem os escritórios imediatamente.

"Aconselhamos os funcionários dessas instituições a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para sua própria segurança. Os moradores das áreas próximas a essas empresas terroristas, em todos os países da região, também devem evacuar em um raio de um quilômetro e procurar um local seguro".

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