No Fleury, 2025 foi ano de aquisições — mas o destaque foi o crescimento orgânico

Por Letícia Furlan 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
No Fleury, 2025 foi ano de aquisições — mas o destaque foi o crescimento orgânico

O Grupo Fleury terminou o ano passado com receita recorde, de R$ 8,29 bilhões, avanço anual de 7,9%. Apesar das aquisições realizadas ao longo de 2025, Jeane Tsutsui, CEO do grupo, afirma que o crescimento orgânico foi o principal motor do resultado, respondendo por 69% da expansão. No quarto trimestre, o crescimento orgânico no segmento B2C — que reúne as unidades de atendimento ao paciente — foi de 10,2%. Só a marca Fleury, prestes a completar 100 anos, avançou 8,6% no período.

Outras praças tiveram desempenho ainda mais forte. Minas Gerais registrou crescimento orgânico de 14,4%, enquanto o Rio de Janeiro avançou 14,1%.

“O nosso principal crescimento é orgânico, especialmente no B2C, que reúne as nossas 573 unidades de atendimento. Estamos presentes em 14 estados. Temos visto um crescimento orgânico forte, mas também adicionamos expansão de forma inorgânica, por meio de aquisições”, explica Tsutsui.

Entre os destaques das aquisições ao longo do ano estão a incorporação das marcas Confiance, na região de Campinas, Hemolab, em Minas Gerais, e São Lucas, em Rio Claro. Com a contribuição dessas operações, o crescimento total do B2C no quarto trimestre chegou a 13,4%.

Apesar da força do B2C, o B2B também fez peso no balanço da companhia. O Lab-to-Lab é considerado um pilar fundamental para a estratégia do Fleury, correspondendo a 22% da receita do ano. O modelo de negócio envolve a terceirização de exames entre laboratórios que o grupo Fleury expandiu após a fusão com o Hermes Pardini, em 2023.

“Damos apoio a 8 mil laboratórios em mais de duas mil cidades, transportando amostras para os nossos centros técnicos. Cobrimos de uma maneira geral aproximadamente 80% da população brasileira por meio do apoio laboratorial, processando mais de 300 milhões de amostras anuais”, afirma a CEO.

A companhia registrou Ebitda de R$ 2,135 bilhões no acumulado do ano, alta de 7,7% em relação a 2024, com margem estável em 25,8%. O fluxo de caixa operacional ficou em R$ 2,133 bilhões. Já o saldo de caixa ao final de 2025 era de R$ 2,275 bilhões, valor que corresponde ao montante disponível em conta para honrar compromissos e realizar investimentos.

A proximidade entre Ebitda e geração de caixa está ligada à eficiência do modelo de negócios da companhia, segundo Jeane Tsutsui. Em 2025, o Fleury registrou uma conversão de caixa de 99,9% do Ebitda — ou seja, praticamente todo o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização foi efetivamente transformado em dinheiro no caixa da empresa.

Já o lucro líquido ficou em R$ 612,8 milhões, queda de 0,6% frente ao ano anterior, com margem líquida de 7,4%. A companhia também manteve uma alavancagem de 1,0x dívida líquida/Ebitda. A geração de caixa operacional alcançou R$ 2,1 bilhões, equivalente a 99,9% de conversão do Ebitda.

Outro indicador acompanhado pelo mercado, o ROIC (retorno sobre capital investido), chegou a 16,6%, avanço de 260 pontos-base desde a combinação de negócios com o Hermes Pardini, concluída em 2023.

'Boatos' envolvendo Rede D'Or

Ao longo do ano, o nome da Rede D’Or foi frequentemente associado ao Fleury em especulações sobre uma possível venda da companhia para a rede hospitalar. Mais recentemente, porém, analistas do Bank of America (BofA) passaram a avaliar que a criação da Bradsaúde, nova holding de saúde do Bradesco, pode alterar o equilíbrio de forças no setor de diagnósticos e reduzir, no curto prazo, o apelo das ações do grupo.

Criada em fevereiro de 2026, a Bradsaúde consolida operações de planos de saúde, hospitais, odontologia e diagnósticos do grupo, com receita projetada de cerca de R$ 52 bilhões. O movimento aumenta o poder de barganha do Bradesco nas negociações com laboratórios e prestadores de serviço.

Nesse contexto, o Fleury ganha importância estratégica. A rede de diagnósticos pode responder por até 30% dos custos de exames do grupo, tornando o ativo relevante no ecossistema de saúde do banco. O Bradesco já detém cerca de 25% a 35% da companhia por meio de subsidiárias, como Bradesco Seguros e Bradesco Diagnóstico.

Para o BofA, essa relação tende a reduzir as chances de uma venda da empresa para concorrentes. Com maior capacidade financeira e influência acionária, o Bradesco teria menos incentivo para abrir mão de um ativo considerado estratégico. Isso tornaria qualquer tentativa de compra mais cara e difícil para rivais.

As vantagens – e o que pode dar errado – numa compra do Fleury pela Rede D'or

Jeane Tsutsui minimizou o assunto. Segundo a executiva, a empresa chegou a se manifestar sobre o tema em fatos relevantes divulgados em outubro daquele ano. Na ocasião, o Fleury reiterou que, embora avalie constantemente alternativas estratégicas, a estratégia atual segue focada na continuidade do crescimento de forma independente, com expansão das próprias operações no Brasil.

“Os movimentos recentes da Bradsaúde, ligada ao Bradesco, são vistos positivamente para o setor. O banco é acionista do Fleury há 17 anos e possui assento no conselho de administração, reforçando a estabilidade da estrutura societária e o alinhamento em torno do plano de expansão da companhia”, explica.

Nesse contexto, a administração enfatiza o fortalecimento das próprias frentes de negócio, como o B2C, o Lab-to-Lab e os chamados Novos Elos — frente de negócios voltada à expansão além da medicina diagnóstica tradicional, reunindo operações em áreas complementares de saúde, como oftalmologia, infusão de imunobiológicos, fertilidade, ortopedia e hospitais de baixa e média complexidade.

O ano foi marcado por uma estratégia de expansão via aquisições. O grupo concluiu a compra de três redes regionais: Confiance, em Campinas e região, Hemolab, em Minas Gerais, e LSL, em Rio Claro.

Também foi anunciada a aquisição do Femme, rede voltada ao público feminino em São Paulo, ainda pendente de aprovação pelo Cade.

Quarto trimestre

No quarto trimestre, o Fleury registrou receita bruta de R$ 2,24 bilhões, crescimento de 12,2% sobre o mesmo período de 2024, impulsionado pelo crescimento orgânico e pelas aquisições recentes.

O lucro bruto foi de R$ 490,1 milhões, avanço de 8%, com margem de 23,8%. Já o lucro líquido atingiu R$ 96,3 milhões no período, alta de 14,7% na comparação anual. A margem líquida trimestral subiu para 4,7%.

O resultado foi beneficiado por uma menor alíquota efetiva de imposto de renda, ligada à chamada Lei do Bem, embora tenha sido parcialmente pressionado por maiores despesas financeiras e depreciação.

Uma das principais frentes de crescimento da companhia é a unidade de Novos Elos, que reúne clínicas de infusão, ortopedia, oftalmologia, medicina reprodutiva e plataformas digitais.

A divisão cresceu 24,4% no quarto trimestre e passou a representar 9,7% da receita total da companhia no período.

O avanço reflete a estratégia do Fleury de ampliar sua atuação para além dos exames diagnósticos tradicionais.

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