'O mercado não aguenta', diz CEO do Rei do Mate sobre escala 6x1

Por Isabela Rovaroto 6 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
'O mercado não aguenta', diz CEO do Rei do Mate sobre escala 6x1

O debate sobre a escala 6x1 voltou ao centro da agenda política em Brasília, com a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara discutindo propostas para reduzir a jornada de trabalho no Brasil.

Enquanto o tema ganha força no discurso público, parte do setor empresarial vê outro problema mais urgente: a falta de gente para trabalhar.

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É o alerta que vem do Rei do Mate, rede de cafeterias com mais de 300 lojas no país. Para o CEO Antonio Carlos Nasraui, a discussão sobre a jornada ignora um gargalo já instalado na operação das empresas.

“O mercado não aguenta. Hoje já falta mão de obra. A gente demora para inaugurar porque não consegue contratar”, diz Nasraui.

A fala vem em um momento de crescimento da rede, que faturou R$ 410 milhões em 2025 e projeta expansão de até 15% neste ano. Ainda assim, abrir novas unidades já virou um desafio operacional.

O principal argumento da empresa é que o setor já opera no limite da mão de obra disponível — e que reduzir a jornada, sem mudanças estruturais, pode agravar o problema.

Segundo ele, a rede mantém vagas abertas constantemente, inclusive com orientação para que franqueados não interrompam processos seletivos. “Hoje o que não falta é vaga", diz o CEO.

Na prática, isso já impacta o ritmo de crescimento. Lojas deixam de abrir no prazo planejado por falta de equipe, mesmo com demanda e investimento disponíveis.

Mais custo, mesma estrutura

Antonio Carlos Nasraui, CEO do Rei do Mate: “Hoje o que não falta é vaga" (Rei do Mate/Divulgação)

Outro ponto de preocupação é o efeito direto sobre custos. Na visão do empresário, a redução da jornada exigiria mais contratações para manter a operação — algo que, hoje, já não é viável.

“Diminuir a carga horária sem diminuir encargos e sem ter gente para contratar não existe”, afirma.

O impacto tende a ser mais forte em segmentos intensivos em mão de obra, como alimentação e varejo físico, especialmente em ambientes como shopping centers.

“O mercado de cafeteria não aguenta. Loja de shopping não tem estrutura para isso.”

Apesar das críticas, o executivo afirma que o setor já trabalha com diferentes modelos de jornada, adaptados à operação de cada unidade. A preocupação, portanto, não é com a discussão sobre qualidade de vida, mas com a imposição de um modelo único.

Um ano mais difícil pela frente

A incerteza sobre mudanças na jornada se soma a outros fatores que já pressionam o setor em 2026, como instabilidade política e dúvidas sobre o ambiente econômico.

“Se passar dessa maneira, eu não sei o que vai acontecer com o mercado”, diz o CEO.

Para redes como o Rei do Mate, o risco não é apenas de aumento de custos, mas de travar a expansão, justamente em um momento em que o setor tenta retomar o ritmo pós-pandemia.

O debate sobre a escala 6x1 deve seguir avançando no Congresso, com novas audiências e etapas antes de chegar a uma eventual votação.

Enquanto isso, um ponto já pressiona a operação das empresas e ainda aparece pouco no debate político: a falta de mão de obra.

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