O negócio 'invisível' da publicidade que mira faturar R$ 300 milhões
A publicidade digital nunca foi tão global — e, ao mesmo tempo, tão local. Plataformas operam em escala mundial, mas a venda ainda depende de contexto, cultura e operação em cada país.
É nessa fricção entre alcance global e execução local que empresas vêm construindo negócios discretos e altamente lucrativos. Uma delas é a US Media.
Fundada em 2003, a companhia brasileira de nome americano atua como intermediária entre plataformas digitais e anunciantes na América Latina. De forma resumida, assume desde a venda de mídia até a operação comercial nos mercados locais.
Agora, a empresa entra em um novo ciclo de expansão com a abertura de novas frentes em cidades como Los Angeles, Miami e Nova York. O movimento acompanha um ciclo específico do mercado: a chegada de grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de 2028.
“Essas empresas globais precisam vender publicidade localmente. E isso exige estrutura, relacionamento e operação que elas não têm facilmente por aqui”, diz Bruno Almeida, fundador e CEO da companhia.
A projeção é atingir cerca de R$ 300 milhões em receita em 2026, crescimento de aproximadamente 30% sobre o ano anterior.
O que faz?
Plataformas digitais escalam audiência com facilidade. Já a monetização, não. Ela depende de equipes comerciais, faturamento em moeda local e, principalmente, relação direta com anunciantes.
Assim, a US Media funciona como uma extensão comercial de plataformas que ainda não têm operação própria na América Latina. Assume a venda de mídia, monta times locais e adapta a estratégia para cada país.
O modelo transforma a empresa em uma espécie de “infraestrutura invisível” da publicidade digital — operando uma camada que não aparece para o usuário final, mas sustenta a receita das plataformas.
Crescer pelas vertentes
Ao longo dos anos, a empresa construiu um portfólio baseado em diferentes verticais de audiência — de futebol a música, passando por relacionamento e entretenimento. Entre os parceiros estão plataformas como OneFootball, Tinder, Vevo e Fandom.
“Se você depende de um único produto, você fica vulnerável ao ciclo daquele mercado. Nós diversificamos produto, serviço e geografia”, diz Almeida.
Hoje, a empresa analisa mais de 100 potenciais parceiros por ano, mas fecha em média apenas dois contratos de exclusividade para operação na América Latina. São cerca de 200 funcionários e operações distribuídas entre Estados Unidos, Brasil, México e outros países da região.
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