O 'ponto cego' do RH: por que algumas empresas ignoram os 50+ mesmo sem a barreira salarial?

Por Da Redação 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O 'ponto cego' do RH: por que algumas empresas ignoram os 50+ mesmo sem a barreira salarial?

O mercado de trabalho brasileiro vive um paradoxo demográfico e estratégico. Enquanto a longevidade aumenta e a escassez de talentos qualificados se torna um gargalo para o crescimento, uma parcela significativa da força de trabalho é deixada à margem.

Um novo levantamento do Pandapé, software de RH, joga luz sobre uma realidade incômoda: o etarismo não é uma questão de custos, mas uma barreira cultural profunda.

Ao contrário da crença popular de que profissionais com mais de 50 anos possuem pretensões salariais proibitivas, a pesquisa aponta que 60,7% desses colaboradores recebem remuneração equivalente à de outras faixas etárias. O problema, portanto, não está no orçamento das empresas, mas na percepção das lideranças.

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A 'barreira invisível': alta qualificação vs. baixa contratação

Os dados do Pandapé revelam um cenário de subaproveitamento intelectual. Dos quase 59 mil currículos analisados, o grupo acima de 51 anos é o que apresenta o maior nível de escolaridade: mais de 55% possuem ensino superior, técnico ou pós-graduação. No entanto, este mesmo grupo representa a menor fatia de cadastros (apenas 10,2%) e sofre com um índice de desocupação alarmante — quase 80% estão fora do mercado.

"O problema não é técnico, é cultural", afirma Thomas Costa, porta-voz do Pandapé. "Existe um mito de que contratar pessoas mais velhas traz menos retorno, mas os dados mostram o oposto. Esse grupo é reconhecido pelo comprometimento e pela estabilidade que traz às operações."

O abismo entre o discurso e a prática no RH

Embora as empresas reconheçam os benefícios teóricos de contar com profissionais experientes — com 47,6% destacando a estabilidade e 46,4% valorizando o repertório acumulado —, a prática revela uma inércia organizacional.

Silêncio Corporativo: Quase 40% das companhias não discutem o etarismo internamente.

Falta de Diretrizes: Apenas 15,5% possuem políticas claras para combater a discriminação por idade.

Exclusão Silenciosa: 34,5% das empresas admitem que o preconceito geracional ocorre em seus ambientes, mesmo que não haja registros formais de denúncias.

Quando questionadas sobre os desafios de integração, as lideranças apontam a dificuldade com tecnologia (39,3%) e falhas de comunicação (19%) como os principais obstáculos. No entanto, especialistas sugerem que essas barreiras são muitas vezes superestimadas e ignoram a capacidade de reskilling (requalificação) dessa geração.

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