O preço de ser Miranda Priestly em 2026
Vinte anos depois, O Diabo Veste Prada volta aos cinemas em uma versão muito mais cara — dentro e fora das telas. Com orçamento de US$ 150 milhões, o novo filme reflete a inflação do luxo que marcou o universo de Miranda Priestly, em que itens icônicos, como sua bolsa Prada, hoje custam até dez vezes mais do que em 2006. Esse é o tipo de atualização de preço que Andy Sachs, se ainda estivesse buscando o latte sem espuma de sua chefe, teria que encarar na manhã de amanhã, quando O Diabo Veste Prada 2 estreia nos cinemas.
O filme de 2006 se tornou uma referência cultural que transcendeu a moda: tornou uma indústria inteira compreensível para quem nunca havia folheado uma revista. O monólogo do cerúleo virou sinônimo universal de humilhação profissional, assim como a frase "Flores? Para a primavera? Inovador". E Anna Wintour, que à época mantinha distância estratégica da produção, hoje divide a capa da Vogue com sua contraparte fictícia, Meryl Streep.
O preço de ser Miranda Priestly
Arquivos de jornais, fóruns sobre bolsas, anúncios antigos de supermercado se tornaram referências para relembrar o ano de 2006 e para calcular quanto custaria hoje viver o universo do filme. O resultado é uma aula sobre inflação no luxo.
Um latte tamanho grande do Starbucks que Miranda exigia todos os dias saía por US$ 3 em 2006. Hoje custa US$ 6,50. As slingbacks Jimmy Choo que marcaram a transformação de Andy foram de US$ 645 para US$ 850. As botas Chanel acima do joelho — que deixaram Emily em choque, de US$ 1.500 para mais de US$ 4 mil no mercado vintage. A jaqueta Chanel da temporada, que já custava US$ 5.665, hoje pode ultrapassar US$ 11 mil em plataformas de revenda como o The RealReal, segundo levantamento do site The Cut.
Nem tudo subiu, porém. A bolsa de couro azul Marc Jacobs que aparece no filme, avaliada em US$ 1.900 à época, pode ser encontrada hoje por cerca de US$ 150 em sites de revenda. O telefone Bang & Olufsen que Andy descrevia como futurístico, comprado por US$ 1.100 em 2006, sai por US$ 280 no Depop — se alguém ainda tiver uma linha telefônica em casa.
Já o salário de assistente, para quem ainda sonha em trabalhar para uma Miranda Priestly real, saiu de US$ 32.500 anuais — número citado no romance original de Lauren Weisberger — para entre US$ 60 mil e US$ 80 mil, segundo vaga de 2023 levantada pela The Cut. Um ajuste relevante, mas que ainda enfrenta a mensalidade da escola Dalton, onde Miranda matriculava as filhas: eram US$ 35 mil por criança em 2006; hoje são US$ 67 mil.
Se os preços mudaram, a cidade mudou mais ainda. O Condé Nast Traveller revisitou as locações do filme e encontrou uma Nova York irreconhecível em partes. Cada cena do original estava ancorada em um quarteirão específico, um lobby, um restaurante.
Essas locações começaram a desaparecer antes da pandemia, mas março de 2020 acelerou o processo de forma irreversível. O trabalho presencial, o dress code e os almoços corporativos desapareceram em semanas. Tênis substituíram saltos. O almoço virou mensagem no Slack e no Teams.
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