O que esperar de 'O Diabo Veste Prada', 20 anos depois
Vinte anos depois de Miranda Priestly paralisar uma redação com um olhar, "O Diabo Veste Prada" está de volta.
A sequência chega em 1º de maio de 2026 com o elenco principal reunido, um roteiro que aposta na crise do jornalismo impresso como pano de fundo e uma promessa difícil de cumprir: ser nostálgica o suficiente para emocionar os fãs do original e contemporânea o suficiente para não parecer caricato.
Produzido pela 20th Century Studios e tratado pela imprensa especializada como uma "sequência evento", o filme foi rodado em 2025 com gravações em Nova York e em desfiles reais de moda.
O primeiro teaser chegou em novembro do mesmo ano; o trailer completo, em fevereiro de 2026. O buzz, segundo a própria Meryl Streep para a Vogue, foi grande o suficiente para exigir barreiras policiais e controle de multidão durante as filmagens em Nova York — ônibus de fãs, paparazzi em bando, fotógrafos atravessando o enquadramento. "Não estava preparada para o ataque de boa vontade e atenção ávida", disse a atriz.
Miranda contra o fim de uma era
O centro da trama, conforme sinopse divulgada por Variety, é Miranda Priestly em modo de sobrevivência. A editora mais temida do mundo da moda agora enfrenta o colapso do modelo de negócio que a tornou poderosa: as revistas impressas perdem terreno, as verbas migram para plataformas digitais e conglomerados de luxo, e a influência de uma editora-chefe — por mais lendária que seja — já não é mais a moeda que costumava ser.
O que torna a situação especialmente cruel é quem está do outro lado da mesa: Emily Charlton, a ex-primeira-assistente que Miranda humilhou durante anos, hoje é executiva de peso em um grupo de luxo que controla exatamente o dinheiro de publicidade de que a Runway precisa para sobreviver.
A dinâmica, que Deadline aponta como a espinha dorsal do conflito, é a de uma reviravolta de hierarquias com um certo tipo de rancor acumulado.
Emily Blunt, que interpreta a personagem, afirmou adorar cada segundo da “vingança”.
"Ela e Meryl sempre têm uma rivalidade em todos os filmes que fazem juntas", brincou a atriz em conversa com a Entertainment Tonights.
A atriz também comentou sobre o lado mais emocional do retorno: em perfil para a revista ELLE, ela descreveu como "terrivelmente comovente" voltar a um papel que, segundo ela própria, "mudou tudo" na sua carreira.
O filme original virou, nas suas palavras, um "banco de nostalgia" para o público — e a sequência tenta honrar isso sem fazer acenos superficiais aos fãs.
Andy, 20 anos depois — e com o guarda-roupa certo
O papel de Anne Hathaway na continuação ainda é tratado com mais mistério nos perfis oficiais. Com informações de teasers e vazamentos, a personagem segue na área editorial/jornalística, mas numa versão de carreira mais madura,.
Hathaway passou anos em entrevistas dizendo que não enxergava um caminho óbvio para uma sequência justamente por causa dessas transformações. O que a convenceu, segundo ela ao Today Show, foi um roteiro que encontrou "verdade" no mundo pós-digital — e que leva a sério o fato de que o público de hoje é mais atento a questões de trabalho tóxico, precarização e privilégios do que era em 2006. O arco de Andy, diz a atriz, precisava estar alinhado com esse olhar.
Anne comentou sobre o guarda-roupa que, dessa vez, foi pensado para parecer "estiloso, mas plausível" financeiramente. "O público não quer suspender a descrença em relação à realidade econômica dos personagens", disse a atriz.
Caras novas num universo familiar
O elenco original está completo: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci retornam nos papéis de Miranda, Andy, Emily e Nigel, respectivamente, conforme confirmado por trailers e notas oficiais do estúdio. Mas a sequência traz um elenco de apoio consideravelmente renovado para dar conta do novo ecossistema de moda, mídia e tecnologia.
Kenneth Branagh entra como o marido de Miranda — uma camada de vida pessoal que praticamente não existia no primeiro filme. Simone Ashley, conhecida de Bridgerton, aparece como a nova assistente de Miranda, funcionando como um espelho da Andy de 2006. O restante do elenco inclui Lucy Liu, Justin Theroux, B.J. Novak, Pauline Chalamet e Conrad Ricamora, entre outros.
Quem não está de volta é Adrian Grenier no papel de Nate, o namorado de Andy no original. Em entrevistas ao Page Six, o ator afirmou que não foi chamado para reprisar o papel. Ao longo dos anos, o personagem passou a ser visto como um segundo “vilão” na trama, após o público identificar ações que constantemente pareciam desmotivar a carreira da protagonista, que chegou a desistir de continuar na Runaway após brigas com o parceiro e amigos.
A continuação mantém a mesma base criativa do original: David Frankel volta à direção, Aline Brosh McKenna ao roteiro e Wendy Finerman à produção. A escolha é lida como garantia de continuidade de tom — o equilíbrio entre sátira de bastidores e arco emocional que tornou o primeiro filme tão "reassistível" ao longo de duas décadas.
Assista ao trailer oficial
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