O segredo do emagrecimento pode estar entre cérebro e intestino

Por Estela Marconi 1 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O segredo do emagrecimento pode estar entre cérebro e intestino

Perder peso pode envolver transformações que vão além da redução de calorias consumidas.

Um estudo publicado na revista científica Frontiers identificou mudanças simultâneas no intestino e no cérebro de pessoas com obesidade submetidas a uma dieta de restrição energética intermitente.

A pesquisa, conduzida por cientistas do Hospital Geral das Forças Armadas da China, acompanhou 25 adultos durante 62 dias. Ao final do período, os participantes perderam, em média, 7,6 quilos, o equivalente a 7,8% do peso corporal inicial.

Além da perda de peso, os pesquisadores observaram melhora em indicadores de saúde, incluindo redução da pressão arterial, da glicose em jejum, do colesterol total e de marcadores relacionados à função hepática.

O que mudou no cérebro durante a perda de peso?

Os cientistas realizaram exames de ressonância magnética funcional ao longo do estudo para monitorar a atividade cerebral dos participantes.

Os resultados mostraram redução da atividade em regiões associadas ao apetite e a comportamentos relacionados à dependência alimentar.

Segundo os autores, isso pode ajudar a explicar por que algumas intervenções alimentares afetam não apenas o peso, mas também o desejo por comida e o autocontrole.

As alterações foram observadas paralelamente às mudanças registradas no microbioma intestinal, conjunto de bactérias que vivem no trato digestivo.

Mudanças no intestino acompanharam a perda de peso

As análises das amostras de fezes revelaram alterações na composição das bactérias intestinais dos participantes.

Espécies associadas a benefícios metabólicos tornaram-se mais abundantes, enquanto a bactéria Escherichia coli apresentou redução.

Os pesquisadores também identificaram associações entre determinadas bactérias e regiões específicas do cérebro ligadas à atenção, aprendizagem e funções executivas.

Segundo o pesquisador Qiang Zeng, autor sênior do estudo, as mudanças observadas no microbioma intestinal e na atividade cerebral ocorreram de forma dinâmica e conectada ao longo do processo de perda de peso.

Os autores destacam que ainda não é possível afirmar se as bactérias intestinais influenciam diretamente o cérebro, se o cérebro modifica o microbioma ou se ambos respondem simultaneamente a outros fatores relacionados à dieta e ao emagrecimento.

Apesar dessa limitação, os resultados reforçam a hipótese de que o controle do peso corporal envolve uma comunicação biológica entre intestino e cérebro, e não apenas o balanço entre calorias consumidas e gastas.

Pesquisas recentes reforçam a relação

Estudos publicados posteriormente apontam resultados semelhantes.

Uma revisão sistemática de 2024 concluiu que o jejum intermitente pode modificar a riqueza e a diversidade do microbioma intestinal em seres humanos, embora os efeitos variem entre os estudos.

Outra pesquisa de 2024 comparou o jejum intermitente combinado ao controle de proteína com a restrição calórica contínua. O grupo submetido ao jejum apresentou maior perda de peso e alterações mais expressivas na composição das bactérias intestinais.

Os autores ressaltam que o estudo original foi realizado com um número reduzido de participantes e durante um período relativamente curto.

A próxima etapa da pesquisa será identificar quais bactérias e quais regiões cerebrais exercem maior influência sobre o sucesso da perda de peso.

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