O streaming perdeu sua arma mais valiosa: a fidelidade da Geração Z

Por Tamires Vitorio 11 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
O streaming perdeu sua arma mais valiosa: a fidelidade da Geração Z

A relação da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) com plataformas digitais entrou em uma nova fase. Segundo o relatório “Generations In Play: 2026 Audience Insights Report”, publicado pela Dentsu e pela IGN Entertainment, 59% dos jovens entrevistados assinam e cancelam serviços de streaming apenas para assistir a um único filme ou série.

Para os autores do estudo, o comportamento indica uma mudança estrutural no mercado de entretenimento. “A lealdade da plataforma morreu”, afirma o relatório.

A pesquisa foi conduzida de forma independente pela Kantar e pela UC Berkeley, com 6.250 consumidores altamente engajados dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália.

Os dados mostram uma geração menos interessada em vínculos permanentes com plataformas e mais focada em acesso pontual a conteúdos específicos.

Além do streaming, o levantamento aponta mudanças no consumo de games, música e mídia física.

Segundo o estudo, 62% da Gen Z não pagam preço cheio por videogames. Já 71% afirmam ter parado de comprar músicas físicas, enquanto 70% deixaram de adquirir DVDs ou cópias físicas de séries e filmes.

O catálogo deixou de ser suficiente

Em entrevista à Variety, Brent Koning, diretor global de games da Dentsu, afirmou que a disputa entre plataformas mudou de natureza.

Segundo ele, o diferencial já não está na quantidade de conteúdo disponível, mas na capacidade de manter propriedades intelectuais relevantes por longos períodos.

“O movimento não significa necessariamente criar mais conteúdo original. A lealdade hoje gira em torno de franquias com longevidade”, disse Koning.

Ele cita produções como Stranger Things, Game of Thrones e The Walking Dead como exemplos de sagas capazes de manter usuários conectados às plataformas.

A entrevista também aponta que propriedades intelectuais passaram a circular entre diferentes formatos, carregando audiência de um meio para outro.

“Quando uma franquia transita entre formatos, ela leva o público junto”, afirmou.

A guerra agora acontece na tela inicial

Outro ponto destacado por Koning é a transformação do entretenimento em uma “economia de acesso”.

Segundo ele, música foi o primeiro setor a passar por essa mudança, seguida por games, TV e streaming.

“Os distribuidores não conseguem mais competir apenas pelo tamanho do catálogo”, afirmou à Variety. “Eles tentam desesperadamente ser a primeira plataforma que você abre quando tem 20 minutos livres.”

Na avaliação do executivo, a principal disputa das empresas hoje acontece na tela inicial dos dispositivos.

O estudo também aponta que modelos baseados em assinatura e acesso gratuito se consolidaram como porta de entrada dos games.

A monetização, porém, migrou para outros formatos, como passes de temporada, itens virtuais e benefícios dentro dos jogos.

Gen Z ainda impulsiona cinemas

Apesar da migração acelerada para modelos digitais e sob demanda, o relatório identifica um ponto positivo para Hollywood.

A Gen Z aparece como a geração mais propensa a frequentar cinemas no fim de semana de estreia de filmes. Segundo a pesquisa, os jovens têm 13% mais chance de comparecer às sessões de abertura do que consumidores mais velhos.

Para Koning, o comportamento tem relação com a dimensão social da experiência presencial.

“A Gen Z vê o cinema como uma experiência coletiva e social, não apenas como algo ligado à tela”, afirmou à Variety.

O executivo diz que o cinema passou a funcionar como parte de um programa maior, integrado a encontros, saídas e experiências presenciais.

O relatório também mostra diferenças geracionais no consumo esportivo.

Segundo Koning, jovens preferem acompanhar esportes por criadores de conteúdo no YouTube e transmissões paralelas feitas por influenciadores, em vez da transmissão tradicional.

“A produção de criadores virou porta de entrada para o esporte, não substituição”, afirmou.

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