‘O varejo não vai sobreviver se fizer as coisas do mesmo jeito’, diz presidente da VTEX Brasil

Por Isabela Rovaroto 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘O varejo não vai sobreviver se fizer as coisas do mesmo jeito’, diz presidente da VTEX Brasil

O varejo brasileiro cresce menos, opera pressionado por juros altos e vê suas margens encolherem. Em um cenário assim, insistir no modelo atual deixou de ser uma opção.

“O varejo não vai sobreviver se continuar fazendo as coisas do mesmo jeito”, diz Rafaela Rezende, presidente da VTEX Brasil.

A avaliação resume a leitura da empresa sobre o momento do setor — e ajuda a explicar o tom do VTEX Day, evento anual da companhia que reúne cerca de 25 mil pessoas em São Paulo e funciona como principal vitrine das apostas da companhia para o comércio digital.

Neste ano, a programação concentra executivos globais do varejo, como John Mackey, fundador da rede americana Whole Foods, além de líderes que participaram de processos de reestruturação em grandes varejistas internacionais.A ideia é discutir decisões difíceis em momentos de pressão.

A mudança de foco do evento acompanha uma inflexão no próprio discurso da VTEX. Se antes o varejo discutia expansão, agora a conversa gira em torno de eficiência, simplificação e sobrevivência.

“O varejo vive um momento bastante desafiador. Taxa de juros alta, o dinheiro caro, e a gente não cresce como crescia antes”, diz Rezende.

Na prática, isso significa rever estruturas que, até pouco tempo atrás, eram vistas como padrão. Segundo a executiva, boa parte das empresas ainda opera com times grandes, processos manuais e uma lógica de gestão que privilegia volume, não resultado.

“Hoje o varejo ainda sofre com times gigantescos. Existe uma questão de ego, porque muitos executivos acreditam que poder é o tamanho do time que têm na mão”, afirma.

Esse modelo, segundo a executiva, não se sustenta em um ambiente de maior pressão por margem. E o erro mais comum, na tentativa de ganhar eficiência, tem sido apostar na tecnologia sem rever o desenho da operação.

“Automatizar processo errado só escala erro. Você resolve problema conhecido, mas não ataca o desconhecido”, diz.

A única saída é resolver o uso ainda limitado da inteligência artificial no setor. Embora amplamente discutida, a tecnologia muitas vezes entra como camada adicional e não como base da operação.

“A IA só vai ser grande quando não tiver plano B. Enquanto ela for uma alternativa, ela não vai expandir do jeito que precisa”, diz Rezende.

Na visão da executiva, a adoção real da inteligência artificial passa por decisões mais duras, incluindo a redução de estruturas e a redefinição de papéis dentro das empresas.

“A gente precisa gerar escassez. É isso que força a mudança”, afirma.

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Nesse novo modelo, ganham espaço profissionais com maior capacidade de decisão e menos foco em gestão tradicional.

São os chamados “snipers”, na definição da executiva, pessoas que operam com o apoio de agentes de inteligência artificial e assumem responsabilidade direta sobre resultados.

“É um funcionário que está aberto à IA, que vai deixar a IA operar, que vai ter os seus próprios agentes. E é alguém com pouco ego, porque muitas vezes ele deixa de ser manager para ser um funcionário individual”, diz.

Quais são as soluções da VTEX para o novo cenário

A mudança não se limita à operação interna. Ela também altera a forma como o consumidor se relaciona com as marcas.

“A gente acredita muito numa nova experiência baseada em conversas”, diz Rezende.

A aposta é que a interação com a marca passe a acontecer de forma contínua, em canais como WhatsApp, integrando descoberta, compra e pós-venda.

“Talvez a conversa seja a forma de comprar mais poderosa no mundo de IA”, diz Rezende.

É nesse contexto que a VTEX apresenta, durante o evento, um novo conjunto de produtos. A empresa reorganiza sua oferta em três frentes principais — gestão do comércio, experiência do cliente e monetização — com a inteligência artificial como base comum.

“A gente está lançando três produtos que viram várias soluções para o varejo. Todos eles com IA como fundação”, diz.

A proposta é atacar dois dos principais pontos de pressão do setor: eficiência operacional e geração de receita.

“Eles aumentam a eficiência de quem opera e também aumentam a receita na ponta”, afirma.

Outro eixo relevante está no B2B, segmento que ainda apresenta baixa digitalização no Brasil.

“Existe uma oportunidade grande no B2B. Não é tirar o vendedor, é empoderar ele para atender mais clientes com mais inteligência”, diz.

No fim, a mensagem converge para um ponto central: simplificação.

“O varejo precisa tomar risco, principalmente na escassez”, diz a executiva.

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