Oposição da Venezuela exige reforma eleitoral e novas eleições
A oposição da Venezuela exigiu neste domingo uma reforma ampla das instituições do país, incluindo o sistema eleitoral, como condição para a realização de novas eleições após a crise política envolvendo Nicolás Maduro.
A demanda foi apresentada pela Plataforma de Unidade Democrática, coalizão que reúne oito partidos de oposição e que divulgou um roteiro para uma transição política. O grupo cobra mudanças em todos os Poderes e a reestruturação do órgão eleitoral, alvo de críticas após o processo de 2024.
Os líderes opositores voltaram a questionar a eleição de julho de 2024, quando denunciaram que o órgão eleitoral não publicou os resultados detalhados, como exige a legislação. A votação resultou na tentativa de um terceiro mandato consecutivo de Nicolás Maduro.
A coalizão também declarou haver uma “ausência absoluta” de Maduro após o término do prazo constitucional de 90 dias e pediu que a presidente interina Delcy Rodríguez restabeleça garantias institucionais e convoque novas eleições.
Entre as principais demandas estão o fim das inelegibilidades políticas, a devolução de símbolos eleitorais aos partidos e condições para participação ampla no processo eleitoral.
A mobilização reuniu cerca de 40 mil ativistas, entre participantes presenciais e virtuais, e marcou a primeira grande articulação da oposição desde 2014.
Pressão cresce após prisão de Maduro
Maduro foi preso em 3 de janeiro, em uma incursão militar dos Estados Unidos, e aguarda julgamento por acusações de tráfico de drogas. A oposição sustenta que, com a ausência do presidente, há necessidade de reorganização institucional e convocação de eleições.
O grupo também contestou a posição do governo interino de priorizar a agenda econômica, afirmando que eleições são condição para estabilização e recuperação do país.
A coalizão exigiu ainda a libertação de presos políticos, o fim da perseguição a opositores e garantias para o retorno seguro de exilados.
A líder opositora María Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, afirmou que há consenso para uma transição política e disse que pretende retornar ao país para ampliar a mobilização.
No mesmo contexto, o advogado trabalhista Edwin Sambrano foi preso neste domingo no estado de Táchira, segundo comunicado de sua organização, sob acusações classificadas como políticas.
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