Oracle divulga balanço sob pressão para provar força da IA; veja o que esperar
A Oracle chega a mais um balanço, que será divulgado após o fechamento do mercado nesta quarta-feira, 10, sob os holofotes de investidores que tentam medir até onde vai o impulso da inteligência artificial sobre os negócios.
Depois de uma forte valorização das ações nos últimos meses, o resultado é visto como um teste importante para a tese de crescimento da empresa em computação em nuvem e infraestrutura voltada para IA, segundo a Bloomberg.
Analistas projetam que o lucro ajustado por ação deve ficar entre US$ 1,95 e US$ 1,97.
Ouvidos pela agência, eles projetam também que as vendas da unidade avancem cerca de 92% no trimestre encerrado em maio, ritmo superior ao crescimento de 52% registrado em igual período do ano anterior.
As projeções para o resultado também refletem essa aceleração, com o Evercore ISI apontando para uma receita próxima de US$ 19 bilhões, o que representaria alta de 19,5% na comparação anual.
Especialistas fazem ressalvas ao balanço
Gestor de portfólio da Gabelli Funds, que detém ações da Oracle, John Belton até vê que há um crescimento acelerado da receita na área principal área da empresa, mas questiona sobre a qualidade dela.
O diretor de investimentos da Hyphen Wealth Management, Cyrus Amini, acrescentou que a principal questão para a Oracle é saber se ela conseguirá cumprir suas obrigações correntes, transformar receitas potenciais em receitas efetivas e se seu balanço patrimonial oferece tempo e margem suficientes para isso.
Gastos bilionários seguem no radar
A expansão dos data centers exigiu grandes investimentos nos últimos trimestres, pressionando a geração de caixa da Oracle. Estimativas compiladas pela Bloomberg indicam fluxo de caixa livre negativo de US$ 3,5 bilhões no trimestre.
Investidores devem analisar, ainda, eventuais atualizações sobre os planos de expansão da infraestrutura, necessidade de novos financiamentos e cronograma de reconhecimento de receitas dos contratos ligados à IA.
Analistas seguem otimistas com as ações
O Bank of America (BofA) elevou, recentemente, seu preço-alvo para as ações de US$ 200 para US$ 240 e manteve recomendação de compra, prevendo tendência forte na demanda nos serviços da empresa.
Outras instituições também revisaram suas projeções para cima antes do resultado. O TD Cowen passou a projetar preço-alvo de US$ 300, enquanto a Oppenheimer elevou sua estimativa para US$ 275.
O Evercore ISI aumentou sua projeção para US$ 245, e o Barclays reiterou preço-alvo de US$ 240. Já o Guggenheim manteve recomendação de compra com preço-alvo de US$ 400, de acordo com o Investing.com.
As ações da Oracle acumulavam valorização de 30% desde a divulgação do resultado anterior e chegaram a avançar cerca de 27% no acumulado de 2026 antes da recente correção do setor.
Por volta das 8h10 (horário de Brasília), os papéis listados em Nova York (ORCL) caíam 3,50% no pré-mercado, cotados a US$ 205,81.
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