Os dois fatores que derrubam a popularidade de Lula, segundo CEO da Quaest

Por André Martins 15 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Os dois fatores que derrubam a popularidade de Lula, segundo CEO da Quaest

A tendência de piora do trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não foi revertida, mesmo com pacote de medidas de mais de R$ 88 bilhões, como a isenção do imposto de renda.

Parte da explicação, segundo análise do cientista político e CEO da Quaest, Felipe Nunes, está na percepção de piora da economia e o aumento dos preços dos alimentos.

O reflexo dos dois favores é a avaliação de um notíciário negativo sobre o governo e falta de impacto de medidas implementadas pela gestão.

Os dados da Genial/Quaest detalham esse momento e foram destacado por Nunes. Desde fevereiro, o percentual de eleitores que afirmam que observam mais noticias negativas sobre o governo pulou de 41% para 48%. As noticias positivas saiu de 30% para 23%.

"O ambiente não parece favorável ao governo neste momento", afirmou Nunes em publicação no X.

Sobre a sensação da economia nos últimos 12 meses, Nunes aponta que a percepção geral está piorando. A tendência de alta é observada desde dezembro de 2025, com avanço de 12 pontos percentuais, chegando a 50% o percentual de quem afirma que a economia piorou.

A avaliação é que o principal motor dessa sensação é o preço dos alimentos. Para 72% dos brasileiros, os preços subiram no último mês. Esse número era de 59% em março e se aproxima do pico observado há exatamente 12 meses.

Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, mostram que a inflação subiu 0,88% em março, puxada pelo preço dos combustíveis e alimentos.

O aumento ocorre no contexto de maior volatilidade no mercado internacional de petróleo, com o fechamento do Estreito de Ormuz, ocasionado pela guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.

O encarecimento do diesel tem efeito disseminado sobre a economia brasileira, ao elevar o custo do frete.

Envididamento

"Além dos preços, tem o endividamento das famílias que continua atingindo um número muito expressivo de brasileiros", disse Nunes.

De março do ano passado pra cá, saltou de 65% para 72% os entrevistados que afirmam ter poucas ou muitas dívidas para pagar.

O comprometimento da renda das famílias para o pagamento de dívidas alcançou 29,33% em janeiro, maior patamar desde o início da série histórica, em 2005., segundo dados do Banco Central.

Nesse contexto, o governo corre para apresentar um novo programa de renegociação de dívidas com até 90% de desconto e juros a 2%, além da liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para 10 milhões de pessoas.

Ao mesmo tempo, o ganho de renda com a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil não tem produzido efeito na renda das famílias.

Desde que entrou em vigor, a isenção continua atingindo 31% das pessoas. Na comparação com a pesquisa de outubro de 2025, quando a medida ainda não havia sido implementada, 61% dos brasileiros esperavam ser beneficiados.

"O percentual de brasileiros que sentiram impacto na renda depois da isenção é estável (próximo de 17%). Ou seja, o tempo passa, o benefício se intensifica nos meses, mas não a ponto de afetar um volume maior de brasileiros", disse o CEO da Quaest.

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