Os planos de R$ 60 milhões da Alfama, de carnes, para o setor de proteínas
A Alfama, empresa especializada no processamento de proteína animal para o mercado de food service, iniciou um novo ciclo de expansão com a inauguração de uma fábrica em Louveira (SP), resultado de um investimento de R$ 60 milhões.
O movimento sinaliza uma transição da companhia para um modelo mais próximo de soluções industriais do que de commodities, diz à EXAME Bruno Sonda, CEO da empresa. A estratégia reflete uma mudança estrutural no setor de alimentação fora do lar.
“O mercado não busca apenas proteína, mas soluções que simplifiquem a operação e aumentem a rentabilidade”, afirma. A expectativa é de que a nova linha de produtos in natura porcionados gere faturamento de R$ 120 milhões em 2026, contribuindo para a meta consolidada de R$ 400 milhões no período.
A Alfama foi fundada em 2012, em Cascavel (PR), pelo CEO e seu irmão. A família de Sonda tem histórico na pecuária, com fazendas no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Antes disso, porém, os irmãos atuaram no setor de alimentação.
“Em 2008, criamos uma rede de restaurantes chamada Armazém em Português, que operamos por alguns anos. Foi a partir dessa experiência que surgiu a Alfama, com a proposta de solucionar desafios do food service, especialmente em relação ao fornecimento de proteína”, diz.
Hoje, a empresa é especializada no fornecimento de proteínas animais preparadas (cozidas, dessalgadas e desfiadas) para o food service — setor que engloba estabelecimentos que preparam e vendem refeições e bebidas para consumo fora de casa, como restaurantes, lanchonetes, bares, food trucks, padarias e serviços de delivery.
Nem mesmo o preço do boi gordo, que tem disparado nos últimos dias, preocupa o executivo. Segundo ele, o cenário é desafiador, especialmente na proteína bovina, mas o negócio tem suas vantagens.
Na operação de produtos porcionados, concentrada na unidade de Louveira, a dinâmica é diferente, afirma o executivo. Trata-se de um modelo mais sensível às variações de preço, baseado na lógica de spread. Ou seja, a empresa trabalha com margens previamente definidas e realiza o repasse conforme o custo da matéria-prima.
"Esse modelo permite preservar melhor as margens, embora possa gerar algum impacto no consumo. Ainda assim, como a empresa segue em expansão, com abertura de novos clientes e frentes de atuação, esse efeito não tem sido suficiente para frear o crescimento", diz.
Nos últimos anos, com a unidade de Cascavel, a Alfama registrou crescimento médio de 40%, com faturamento de R$ 255 milhões e lucro estimado entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões, além de EBITDA em torno de R$ 50 milhões. O desempenho coloca a empresa entre as que mais crescem no segmento.
A nova planta foi desenhada para operar com carnes porcionadas — cortes bovinos e de frango com padronização de peso e espessura. O foco, diz Sonda, é atender à demanda crescente de restaurantes por eficiência operacional, diante da escassez de mão de obra e da necessidade de reduzir desperdícios.
Segundo o executivo, a proposta é transferir parte da complexidade da cozinha para a indústria. A operação permitirá a produção de itens como bifes, cubos e iscas congelados individualmente (IQF).
A iniciativa, afirma Sonda, “dialoga com um mercado de mais de 2,2 milhões de estabelecimentos de alimentação fora do lar no Brasil”.
A expansão industrial ocorre em paralelo à consolidação de um modelo de distribuição baseado em capilaridade. Desde 2015, a Alfama direcionou sua estratégia para o atendimento de operadores independentes, estruturando uma rede que hoje soma 110 distribuidores no país.
Atualmente, entre 80% e 85% da receita da companhia vem desse canal, que atende cerca de 30 mil clientes mensais em todo o território nacional. A logística permite entregas rápidas e pedidos de menor volume, ampliando o alcance da empresa em um mercado fragmentado.
Expansão internacional
A unidade de Louveira também foi concebida como plataforma para a entrada da Alfama em mercados externos. Com habilitação para exportação, a empresa planeja iniciar sua expansão pela América Latina, replicando um modelo já validado no Brasil.
Segundo o CEO, a ideia é exportar ainda este ano para a região, um mercado estratégico para a companhia pela proximidade. O movimento marca o início da internacionalização da empresa.
No radar, também está a decisão de se tornar uma companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“Isso vai acontecer em julho. Não é um IPO, mas uma listagem na categoria B, que já traz um nível de transparência muito grande para o mercado”, afirma o CEO.
Segundo ele, o movimento também amplia as possibilidades de captação de recursos. “Consequentemente, isso nos dá mais acesso a capital e permite que a empresa se conecte a um outro perfil de investidor institucional”, diz.
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