Paquistão convida delegações dos EUA e Irã para negociações nesta sexta-feira
O Conselho Supremo de Segurança do Irã informou quarta-feira, 8, que as tratativas com os Estados Unidos terão início na sexta-feira, 10, em Islamabade, no Paquistão. O convite para o encontro das delegações foi feito diretamente pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
As conversas ocorrem após os Estados Unidos aceitarem interromper os ataques ao Irã por um período de duas semanas, desde que Teerã permita a reabertura do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, comunicou o cessar-fogo nesta terça-feira, poucas horas antes do limite estabelecido por ele ao Irã.
No entanto, nesta manhã, Teerã decidiu bloquear novamente o Estreito de Ormuz e ameaçou atacar embarcações que tentarem atravessá-lo sem autorização do governo iraniano.
O bloqueio foi anunciado após novos ataques de Israel no Líbano. Segundo a Fars, Teerã avalia abandonar o cessar-fogo recente, que previa a suspensão de ataques por duas semanas.
O acordo, mediado pelo Paquistão, incluía operações em múltiplas frentes, inclusive no território libanês. Autoridades paquistanesas haviam indicado que o Líbano fazia parte da trégua, mas o Exército israelense afirmou que seguirá com ações contra o Hezbollah.
Movimentação dos EUA diante da crise
Na tarde desta quarta-feira, 8, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente Donald Trump está enviando sua equipe de negociação, liderada pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Witkoff e por Jared Kushner, a Islamabad para conversas neste fim de semana.
“A primeira rodada dessas conversas acontecerá na manhã de sábado, horário local, e estamos ansiosos por esses encontros presenciais", informou Karoline, em coletiva de imprensa.
De acordo com a porta-voz da Casa Branca, a prioridade de Donald Trump neste momento é acelerar as negociações com Teerã para a reabertura de Ormuz sem limitações para navegação de embarcações na região.
Impacto no petróleo
Antes do bloqueio total, apenas dois petroleiros haviam conseguido atravessar o estreito desde o início do cessar-fogo. Com a interrupção, o fluxo de navios foi suspenso, afetando diretamente o transporte global de petróleo.
Autoridades iranianas afirmaram que forças armadas já definem possíveis alvos para resposta e alertaram que, caso os Estados Unidos não contenham Israel, haverá reação “com força”.
O petróleo teve a maior queda diária em seis anos nesta quarta-feira, 8, e virou o jogo nos mercados globais. O óleo do tipo Brent despencou até 16%, para a casa dos US$ 90 por barril. O movimento ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar por duas semanas uma ofensiva contra o Irã e sinalizar espaço para negociação, segundo dados consultados pelo Trading Economics.
O movimento da sessão é o mais intenso desde 2020, período marcado pelo choque provocado pela pandemia de covid-19, quando o petróleo chegou a registrar perdas históricas em meio ao colapso da demanda global.
A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do ajuste atual: uma queda superior a 15% em um único dia não é comum e costuma estar associada a eventos extremos, indicaram informações do Trading Economics.
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