Para CEO de Inovação da EDP, transição energética exige avanços para além da tecnologia

Por Sofia Schuck 21 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Para CEO de Inovação da EDP, transição energética exige avanços para além da tecnologia

Focar no que já funciona, entendendo que não existe "bala de prata" para acelerar a transição energética e que o desafio agora está em implementar tecnologias já disponíveis em velocidade e escala.

Essa é a visão de Antônio Coutinho CEO de inovação da EDP global, que concedeu entrevista à EXAME durante sua passagem no Brasil para participar do evento São Paulo Innovation Week.

Presente na América do Norte, Ásia-Pacífico, Europa e América do Sul, o grupo português atua em diferentes frentes do setor elétrico, incluindo geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia. Em todos esses mercados, a aposta está em projetos de inovação para acelerar a transformação.

“Nos próximos 25 anos, a transição será basicamente refazer a infraestrutura energética do mundo — algo que demoramos mais de 200 anos para construir", afirmou.

Para o CEO, o debate energético precisa ir além da busca por uma tecnologia “milagrosa” e passar a incorporar inovação em modelos de negócio, automação, inteligência artificial, financiamento e modernização das redes elétricas.

“Temos essas duas décadas para resolver os outros 20% ou 30% das emissões. Não podemos esquecer os 70% ou 80% que já conseguimos resolver hoje", lembrou.

Segundo o executivo, a eletrificação da mobilidade, do calor industrial e residencial, além da expansão de fontes como solar, eólica, hídrica e sistemas de armazenamento, já permitem reduzir grande parte das emissões globais.

“Vamos focar no que já funciona e escalar rapidamente”, destacou.

IA, automação e novos modelos de negócio

Para o CEO, a próxima fase da transição energética dependerá menos da invenção de novas soluções e mais da capacidade de integrar as já existentes.

Isso inclui desde inteligência artificial para gerenciar redes elétricas complexas até novos formatos financeiros que permitam ampliar o acesso às tecnologias limpas.

“Há muitas tecnologias que já são mais baratas do que utilizar petróleo no longo prazo, mas elas são capital intensivo. Se encontrarmos modelos de negócio que consigam transformar um custo inicial numa renda mensal, já conseguimos acelerar a adoção", disse.

No fim do dia, a inovação necessária envolve desde automação e digitalização até mudanças regulatórias e comerciais capazes de avançar na eletrificação da economia.

“Conseguir orquestrar tudo isto é um desafio de inovação. A IA vai ser muito útil para tornar isto possível”, garantiu.

Brasil vira laboratório de inovação

A visão aparece nos projetos que a companhia vem desenvolvendo em diferentes mercados. No Brasil, uma das principais apostas é o Robotic Grids, iniciativa que aplica robótica e automação avançada em redes elétricas para aumentar a segurança operacional, melhorar a eficiência e elevar a confiabilidade do serviço.

Outro é o Spotlite, plataforma inteligente para gestão da vegetação em linhas de transmissão, combinando monitoramento contínuo, identificação de áreas críticas para poda, análise da vitalidade da vegetação e avaliação de risco de incêndios.

Globalmente, a empresa investe em projetos como o AutoPV, voltado à automatização da construção de parques solares para reduzir custos, prazos de execução e dependência de mão de obra especializada. Já o Scale Up O&M foca na digitalização e automatização das operações de manutenção em usinas solares.

Segundo a EDP, parte dessas soluções está sendo desenvolvida no Brasil como um "laboratório" para depois ser exportada para outros mercados do grupo.

A automação também aparece como ferramenta para ampliar a diversidade no setor elétrico, historicamente marcado pela predominância masculina em atividades operacionais.

“Quando usamos robôs, a questão da força física fica menos relevante”, explicou Mafalda Magro, gestora de Inovação da EDP na América do Sul, também à EXAME.

A maior bateria do mundo

O CEO também chamou atenção para a necessidade de ampliar a visão sobre armazenamento energético, frequentemente associado apenas às baterias de lítio comumente presentes em carros elétricos.

“A maior bateria que existe no mundo é a bateria hídrica”, afirmou.

O executivo citou sistemas de bombeamento hidráulico usados em diversos países europeus, nos quais a energia excedente de fontes renováveis é utilizada para bombear água entre reservatórios, permitindo armazenar eletricidade para períodos de maior demanda.

Ele também mencionou soluções de armazenamento térmico e o papel futuro dos próprios veículos elétricos como reservas móveis de energia.

Energia, soberania e geopolítica

Em meio às tensões geopolíticas e aos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados de energia globais, Coutinho afirmou que a transição energética deixou de ser apenas uma agenda climática.

“A energia sempre foi poder, soberania e risco”, destacou.

Se por muito tempo o debate ficou excessivamente concentrado em clima e tecnologia, hoje ele acredita que não é possível mais se ignorar questões estratégicas ligadas à segurança energética dos países.

Na avaliação do executivo, a China entendeu essa dinâmica antes do restante do mundo e consolidou sua liderança justamente ao transformar eletrificação e tecnologias limpas em estratégia de soberania nacional.

“A China é o principal consumidor daquilo que produz”, frisou. Ele destacou ainda que o Brasil possui potencial para se tornar um ator relevante na cadeia global de minerais críticos essenciais para as tecnologias da transição.

Neste mês, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei voltado à criação de uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, texto que agora segue para análise no Senado.

Segundo o CEO da EDP, o que é raro não são os minerais e sim o seu processamento.  "Não há razão nenhuma para o Brasil não desenvolver este conhecimento e tornar-se uma potência", concluiu.

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