Para o JP Morgan, apostar na queda do ouro pode ser uma má ideia

Por Ana Luiza Serrão 26 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Para o JP Morgan, apostar na queda do ouro pode ser uma má ideia

O ouro acumula uma valorização de 170% nos últimos cinco anos e, apesar das dúvidas sobre a continuidade desse movimento, o JP Morgan avalia que apostar contra o metal precioso pode ser uma estratégia errada.

Estrategistas do banco afirmam, em relatório, que a alta da commodity é sustentada por fatores estruturais que englobam a demanda de bancos centrais (BCs) e o ambiente persistente de incerteza geopolítica.

Investidores têm, assim, buscado o metal como proteção em momentos de estresse: o ouro registrou retorno médio de 1,8% e mediano de 3% durante grandes choques geopolíticos, superando outras classes de ativos.

"O maior impulsionador de valorização pode ser uma nova era de volatilidade geopolítica e fragmentação, que incentiva investidores a comprar o metal precioso", relata o documento.

O papel central dos bancos centrais

“O principal fator por trás dos preços do ouro tem sido os bancos centrais”, afirma o JP Morgan, destacando essas instituições como principal pilar do rali recente do metal.

Segundo o JP Morgan, as compras líquidas de ouro por bancos centrais mais que dobraram desde antes da guerra entre Rússia e Ucrânia, embora o relatório não detalhe os volumes exatos.

Esse movimento reflete uma estratégia de diversificação de reservas e redução da dependência do dólar, especialmente após um congelamento de ativos russos pelos Estados Unidos (EUA).

Cerca de 95% dos bancos centrais esperavam aumentar suas reservas de ouro em 2025, enquanto nenhum previa redução, segundo pesquisa do World Gold Council com a YouGov, citada pelo JP Morgan.

Brasil: a importância de países emergentes

Países emergentes têm desempenhado papel relevante nesse processo. A China, por exemplo, ainda possui uma parcela relativamente baixa de ouro em suas reservas, o que indica espaço para novas aquisições.

Nações como Brasil, Polônia e Índia também vêm ampliando suas posições no ouro, reforçando a demanda estrutural do metal.

Para os estrategistas Kriti Gupta e Justin Biemann, a avaliação é que a demanda institucional por ouro deve permanecer sólida no médio prazo, sustentando os preços do metal.

Investidores individuais e volatilidade

Outro fator relevante é o comportamento dos investidores individuais, que também têm aumentado sua exposição ao ouro como forma de proteção contra riscos macroeconômicos.

Essa demanda contribuiu para a valorização recente, mas também pode introduzir certa volatilidade no curto prazo, mas de forma limitada em termos estruturais, segundo o JP Morgan.

Os investidores individuais não têm, assim, capacidade de definir a tendência de longo prazo do ouro. O comportamento dos BCs continua sendo o maior determinante para o preço.

Tese contra o ouro ignora fatores

Para o JP Morgan, a tese contra o ouro ignora fatores importantes que continuam sustentando a demanda e o papel do metal como ativo defensivo. Algo que não deve mudar tão cedo.

Embora existam riscos potenciais, como uma eventual desaceleração nas compras por BCs ou mudanças no comportamento dos investidores, os fundamentos estruturais permanecem sólidos.

Isso porque o ouro ajuda a reduzir a volatilidade das carteiras devido à sua baixa correlação com outros ativos financeiros, reforçando relevância em um ambiente global inconsistente.

Segundo o banco, o metal tende a proteger contra inflação e a apresentar desempenho superior em momentos de queda dos mercados, desempenhando um papel estratégico como diversificador de portfólio.

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