Pesquisador diz que bitcoin não voltará à máxima histórica sem resolver risco quântico
O pesquisador e cofundador da empresa de venture capital, Castle Island Ventures, Nic Carter, escreveu na rede social X (Twitter) que o bitcoin não voltará à sua máxima histórica a menos que enfrente a ameaça quântica.
A máxima do BTC foi atingida em 6 de outubro do ano passado, quando a maior das criptomoedas chegou a ser negociada por US$ 126.080 a unidade. Desde então, o ativo recuou um pouco mais de 40%.
Um dos especialistas mais vocais sobre a ameaça da quebra da criptografia do Bitcoin por computadores quânticos, Carter já disse anteriormente que a razão para esta última queda do bitcoin foi justamente esse risco.
Para Carter, os assessores financeiros de grandes investidores olham para essa possibilidade de hackers munidos de computação quântica invadirem as carteiras de seus clientes e desistem de recomendar o ativo.
Na opinião do pesquisador, ataques quânticos são um risco existencial à moeda digital e, portanto, os desenvolvedores do Bitcoin precisam solucionar o problema para que a criptomoeda continue a avançar em termos de adoção por investidores comuns.
Postagem e artigo de Carter
Em seu tuíte mais recente, o cofundador da Castle Island afirmou que “pessoalmente” não vê uma nova máxima histórica do bitcoin até que os desenvolvedores entreguem “um plano firme e um cronograma para mitigação do risco quântico”.
I personally don't think we see a new BTC ATH before the devs deliver a firm plan + timeline on quantum risk mitigation. too much sidelined capital. I hear from them every day.
— nic carter (@nic_carter) April 15, 2026
Carter também publicou um artigo no qual disse que é uma “insanidade” deixar o destino de uma rede multitrilionária à mercê da “vã esperança” de que a tecnologia quântica não avance tão rápido.
“É impossível, como entusiasta do Bitcoin, afirmar que este protocolo é tecnologia de ponta se o Bitcoin, um sistema monetário baseado inteiramente em criptografia, está atrasado em comparação com o Google (migração até 2029), Cloudflare (2029), Ethereum (2029) e o governo dos EUA (2030-2035)”, criticou o especialista.
O pesquisador prevê que assinaturas pós-quânticas serão adicionadas ao Bitcoin mais cedo ou mais tarde depois de um “soft fork” na rede. Um “soft fork” ocorre quando as regras da blockchain são atualizadas, mas quem não atualizou continua podendo participar da rede.
“Após o soft fork, haverá um período intermediário durante o qual você poderá assinar com sua assinatura ECC Schnorr padrão ou com uma nova assinatura pós-quântica”, explica Carter. Para ele, os participantes da rede poderão migrar de acordo com a sua percepção de risco antes do risco quântico se tornar realidade e, pouco antes disso ocorrer, “idealmente”, as assinaturas antigas serão desativadas.
“Esperamos que isso aconteça de forma organizada, sem surpresas desagradáveis, e que todos os participantes ativos tenham a oportunidade de migrar suas carteiras antes do Q-day [dia em que os computadores quânticos quebrarão a criptografia da blockchain]", defende o pesquisador.
Disputa sobre congelamento de bitcoins
Carter destaca que neste cenário de migração há um ponto de conflito, os 1,7 milhão de bitcoins pertencentes ao criador da criptomoeda, Satoshi Nakamoto, ou perdidos por pessoas que estavam lá nos primórdios da moeda digital.
Desenvolvedores liderados por Jameson Lopp, defendem que os bitcoins perdidos sejam congelados em suas carteiras para que não possam ser roubados por hackers munidos de tecnologia quântica.
Porém, eles são alvo de críticas contundentes por parte de entusiastas dos criptoativos para quem o congelamento equivale a abrir as portas para a censura na rede.
'Bitcoiners' versus institucionais
Na opinião de Carter, o grupo de Lopp deve vencer a batalha devido ao racional econômico. Players institucionais gigantescos, tais quais a empresa de tesouraria de bitcoin Strategy e a gestora BlackRock não vão sacrificar as suas fortunas em nome da pureza da ideologia cypherpunk.
“Portanto, meu cenário base é que os investidores e as instituições sairão ganhando, e o farão de forma transparente, comprometendo-se antecipadamente apenas com um fork de congelamento. Muitos entusiastas do Bitcoin reclamarão, mas, no fim, reconhecerão a validade econômica do argumento”, prevê o pesquisador.
No entanto, Carter diz que um meio-termo possível ao fork de congelamento seria que uma empresa líder em computação quântica, como Google ou IBM, recupere os 1,7 milhão de bitcoins perdidos e atue como custodiante legal dos ativos. A partir daí, este custodiante comprometer-se-ia a retornar os ativos a seus proprietários originais quando isso for possível.
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