Petrobras: lucro cai 7% e receita fica estável apesar de petróleo mais caro no 1º tri
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 7,2% na comparação anual. O número inclui um ganho cambial de R$ 12,3 bilhões, resultado da valorização do real frente ao dólar no período. Excluindo esse e outros itens não recorrentes, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 23,8 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025.
A receita de vendas somou R$ 123,7 bilhões, uma leve alta de 0,4% na comparação anual. O desempenho modesto ocorre apesar do barril de petróleo 6,5% mais caro.
Os efeitos da alta da matéria-prima ainda não apareceram no balanço. Há uma defasagem natural entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita, que ocorre apenas quando o navio chega ao porto de destino. No mercado asiático, principal destino das exportações brasileiras, o preço é calculado com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga.
Com 81 mil barris por dia ainda em trânsito ao fim do trimestre, a Petrobras deve sentir o impacto do petróleo mais caro a partir do segundo trimestre de 2026.
As exportações cresceram 27,2% nos três primeiros meses do ano. No mercado interno, os preços dos derivados caíram 9,8%.
O segmento de Refino, Transporte e Comercialização foi o destaque, com receita de R$ 117,2 bilhões, alta de 0,3% na comparação anual.
A Exploração e Produção gerou R$ 84 bilhões, queda de 4,7%. A retração reflete exatamente a defasagem nas exportações de petróleo bruto citada acima.
Gás e Energias de Baixo Carbono somou R$ 11,6 bilhões, alta de 6,7%, impulsionada pelo aumento da oferta de gás natural nacional e pelas maiores vendas de energia elétrica.
O Ebitda ajustado ficou em R$ 61,7 bilhões, queda anual de 1%. A margem foi de 48% sobre a receita líquida. O Refino foi o segmento de maior crescimento, com EBITDA de R$ 20,2 bilhões ante R$ 6,2 bilhões um ano antes. O segmento de Exploração e Produção gerou R$ 54,2 bilhões, queda de 7,2%.
Investimentos pesados no pré-sal
Os investimentos totalizaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual. Exploração e Produção concentrou 87% do total. O crescimento reflete o avanço das obras no pré-sal, com destaque para os campos de Búzios e Sépia. A plataforma P-79 entrou em operação em maio, antes do prazo previsto.
A dívida bruta chegou a US$ 71,2 bilhões, alta de 10,4% em relação a março de 2025. A dívida líquida ficou em US$ 62,1 bilhões. O crescimento reflete as captações realizadas para financiar o ciclo de investimentos. O prazo médio da dívida é de 11,3 anos e o custo médio é de 6,8% ao ano.
O índice de alavancagem ficou em 1,43 vez o EBITDA dos últimos 12 meses, estável na comparação anual.
O fluxo de caixa operacional somou R$ 44 bilhões, queda de 10,9% ante o 1T25. O recuo foi causado pelo aumento dos estoques e pela piora no prazo de pagamento a fornecedores. O fluxo de caixa livre ficou em R$ 20,1 bilhões.
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