Petróleo no limite: analista vê julho crítico para os EUA
Desde o início da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, uma preocupação domina governos, traders e mercados globais: o petróleo — e a velocidade com que ele pode começar a faltar.
Com estoques já próximos dos níveis mínimos na Ásia, um veterano analista do setor avalia que a Europa pode enfrentar escassez crítica em poucas semanas, enquanto os Estados Unidos devem começar a sentir impactos relevantes sobre oferta e preços já em julho.
"Eu diria que a Ásia já está no limite. A Europa, espere mais um mês. E considere julho como um mês problemático nos EUA", avaliou o diretor de estratégia de energia da Carlyle e co-presidente da Abaxx Markets, Jeff Currie, à CNBC.
Currie afirmou que os dados globais dos estoques acabam mascarando a real disponibilidade do petróleo no mercado. Isso porque grande parte do volume armazenado precisa permanecer nos sistemas para garantir o funcionamento seguro de oleodutos, refinarias e estruturas de armazenamento. Então, o volume disponível para consumo imediato seria muito menor do que sugerem os números oficiais.
O alerta ocorre em meio à guerra no Irã e às interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota onde passava 20% das exportações de petróleo do mundo. Mesmo com negociações de paz entre Washington e Teerã, um novo ataque dos EUA atingiu o sul do país hoje, levando o Brent a subir 2,62% por volta das 7 horas (horário de Brasília), ao passo que o West Texas Intermediate (WTI) caía 4,50%.
Desequilíbrio no preço dos combustíveis
O desequilíbrio já aparece de forma clara nos preços dos combustíveis, segundo Currie. Em Singapura, por exemplo, o diesel passou a subir mais do que o querosene de aviação, indicando uma mudança no foco da escassez energética na região.
Ele também afirmou que parte do alívio visto atualmente na Europa depende de um fluxo de petróleo vindo dos EUA, sustentado pela liberação de volumes da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR, na sigla em inglês). Para o diretor, porém, esse movimento não é sustentável por muito tempo.
A preocupação com o aperto na oferta também foi reforçada recentemente pela Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês). O seu CEO, Fatih Birol, alertou na semana passada que o mercado pode enfrentar uma crise relevante de abastecimento entre julho e agosto caso as exportações do Oriente Médio não sejam normalizadas.
Suspensão dos impostos não é suficiente
Currie descartou medidas emergenciais defendidas nos EUA, como a suspensão temporária do imposto federal sobre a gasolina, afirmando que elas não atacam o problema estrutural da oferta global.
"A única solução é aumentar a disponibilidade física de petróleo", disse.
A reabertura total do Estreito de Ormuz segue sendo a principal saída para aliviar o mercado, embora o processo de normalização possa levar tempo mesmo após um eventual acordo diplomático.
O executivo também avaliou que a contínua redução dos estoques fortalece a posição do Irã nas negociações em andamento. "A cada dia que passa, o poder de negociação do Irã aumenta, porque os estoques continuam caindo."
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