Preocupação com ataques hacker em stablecoins ‘não é prioridade para ninguém’, diz executivo

Por Mariana Maria Silva 3 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Preocupação com ataques hacker em stablecoins ‘não é prioridade para ninguém’, diz executivo

As stablecoins, criptomoedas que acompanham determinado ativo, geralmente o dólar, ganharam popularidade nos últimos anos e viraram tendência financeira adotada por bancos e instituições financeiras tradicionais. Apesar da facilidade que apresentam para liquidações financeiras, a implementação de mecanismos de segurança é essencial, segundo um executivo da Chainalysis.

O que são stablecoins?

As stablecoins são criptomoedas emitidas por empresas privadas que acompanham o valor de determinado ativo, geralmente moedas fiduciárias como o dólar ou o real. O lastro é garantido através da compra da própria moeda ou de Títulos do Tesouro Nacional na proporção de 1:1 da emissão.

No cenário atual deste mercado, as stablecoins de dólar já possuem representantes bem consolidados, como USDC e USDT. As duas, emitidas por Circle e Tether, respectivamente, possuem valor de mercado em US$ 75,9 e US$ 187,8 bilhões, segundo dados do CoinMarketCap.

Avança no Brasil a tendência para as stablecoins lastreadas em reais, como BRLA, BRL1, BRZ, entre outras. Se por um lado um coordenador do Banco Central do Brasil afirmou que o seu caso de uso é “limitado” e pode ser substituído pelo Pix, as stablecoins de real se destacam para o uso em liquidações nativas em blockchain.

Segurança ‘não é prioridade para ninguém’

No entanto, um executivo da Chainalysis alertou para a importância de se implementar mecanismos de segurança nas stablecoins brasileiras.

Drey Dias, diretor de vendas da empresa de análise e segurança em blockchain, apresentou um painel no evento “O Futuro da Indústria Financeira”, organizado pela Chainalysis e o BTG Pactual.

Durante o painel, Dias revelou que a preocupação com ataques hacker “não é prioridade para ninguém ainda” e citou que mecanismos de segurança já implementados por empresas como a Tether, emissora da stablecoin USDT, devem ser utilizados para prevenir o problema antes que ele aconteça.

“A preocupação de que a sua stablecoin ou o seu contrato inteligente não vai ser vítima de um ataque hacker, não é prioridade para ninguém ainda. Porque não aconteceu, não saiu na mídia como a gente vê toda semana um ataque cibernético nos blockchains”, disse Drey Dias.

“É uma coisa que enquanto não sair na mídia que uma stablecoin brasileira foi hackeada e perdeu milhões, aí vai virar prioridade”, acrescentou.

O executivo explicou que o mercado ainda não priorizou fatores como mecanismos de segurança e o uso das stablecoins brasileiras no mercado secundário por conta de seu tamanho:

“Além da segurança, outro fator importante é o emissor daquela stablecoin entender que aquela stablecoin dele está sendo usada no mercado secundário. E o brasileiro ainda não priorizou essa questão porque ainda são stablecoins relativamente pequenas”, disse.

“Mas por exemplo a USDT. A Tether já tem mecanismos automatizados que quando uma transação é feita e o destino é um endereço sancionado, ela impede a transação e congela a conta automaticamente. Alguma stablecoin brasileira faz isso? Não, não faz. Então é claro que é difícil comparar com o tamanho e maturidade que USDT e USDC têm, mas são questões de segurança que precisam ser endereçadas”, concluiu.

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